Percursos de autor - Carlão

Carlão - Percursos de Autor

Artista Musical

Nasceu em 1975 em Angola mas vem viver para Portugal com dois meses de idade, primeiro para a Costa da Caparica durante um ano e depois para Cacilhas.

Viver em Almada nos anos 80-90 era viver à margem, pois temos o rio a separar-nos de Lisboa. Havia uma espécie de estigma, preconceito, em relação à Margem Sul, mas sobretudo a Almada. “Havia esse lado meio punk de mostrar que estamos aqui (…) e somos capazes de fazer coisas com valor e fizemos e mostrámos. (…) Sentiamo-nos afastados da cultura e sentimos a necessidade de criarmos nós próprios as coisas para nós.”

Teve uma boa vivência em Cacilhas, na sua rua. Era um “viveiro de vários estratos sociais”, multicultural, teve acesso a pessoas muito diferentes entre si e a “um espectro bastante alargado daquilo que era a sociedade portuguesa daquela altura”. “Havia esse espírito de entreajuda entre as pessoas, de se conhecerem umas às outras, (…) esse lado foi a grande mais-valia de ter crescido deste lado do rio porque acho que me deu ferramentas para a vida, que eu considero muito importantes, de percecionar o outro e de me meter no lugar dele”.

Na adolescência passava muito tempo a ouvir música e a tocar com amigos nas garagens, “passávamos muito tempo na rua. Fazíamos acontecer. Se não havia, a gente inventava ali qualquer coisa. Passávamos muito tempo no Ponto de Encontro em Cacilhas, era um viveiro de bandas.” O Carlão refere ainda que “havia uma certa ostracização, éramos de segunda linha e então havia uma grande união, havia ali uma coisa bairrista, mas boa, no bom sentido. Acho que era mais de amor para aquilo que era feito na nossa margem do que de ódio em relação à outra margem (…) Não era isso. Era amar aquilo que era nosso. (…) Havia esse orgulho e ainda há. Os Da Weasel sempre foram muito acarinhados (…) pela malta de Almada, um pouco por causa desse bairrismo a Almada”.

Na sua opinião, em Almada há um equilíbrio em tudo, menos stress, praias fabulosas, restaurantes bons, sítios lindíssimos e temos uma calma relativa, o que considera ser raro nas metrópoles. “Acho que há uma qualidade humana, que ultrapassa o lado físico, que não tem comparação, é muito difícil traduzir por palavras. (…) Há um fator humano em Almada que é difícil de qualificar”.

 

Itinerário sugerido:

  • Miradouro do Jardim do Castelo
  • Jardim do Rio
  • Ginjal (vista incrível)
  • Cacilhas (sítio de eleição)
  • R. Cândido dos Reis - Restauração (grelhados)
  • Costa da Caparica (praias)

Vida noturna: Cacilhas | Ginjal Terrasse