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Património Arqueológico

PATRIMÓNIO

Condições de Acesso: Livre
Cronologia: Pré-História; Indeterminado
Propriedade/Natureza: Privada

ENQUADRAMENTO LEGAL

Classificado: Não
Classificação/Proteção: Área de valor arqueológico potencial: qualquer tipo de intervenção relacionada com infraestruturas, incluindo as de saneamento e rede de águas, operações urbanísticas e atividades agrícolas ou florestais, se implicarem impactos significativos ao nível do subsolo, deve ser precedida de trabalhos arqueológicos de diagnóstico, podendo implicar ulteriores medidas de minimização e adaptações aos projetos de intervenção em função da avaliação dos elementos encontrados

Quinta de Brielas/Ondaparque 2825-848 Trafaria

Brielas 4

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Imagem representativa de ARQ0184
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Imagem representativa de Brielas 4. Enquadramento parcial do sítio arqueológico (2025).
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Imagem representativa de Brielas 4. Conjunto de material lítico identificado no decurso do trabalho de campo (2025).

No decurso de trabalhos de prospeção realizados no âmbito da elaboração da Carta Arqueológica do Concelho de Almada, foi identificada, em solo esquelético de matriz arenosa, uma dispersão circunscrita de materiais líticos constituída por lascas e núcleos de quartzito e sílex, resultante da passagem de populações nómadas que, estabelecidas temporariamente no local, se dedicavam à caça e à recolha de alimentos, aproveitando a presença de seixos e calhaus rolados para o fabrico de instrumentos durante o período da Pré-História Antiga (Paleolítico).

O achado localiza-se numa plataforma natural de superfície tendencialmente plana, situada em posição recuada relativamente ao corte da arriba fóssil, a qual apresenta atualmente evidências de forte erosão eólica. O topo desta arriba — uma zona costeira alta e escarpada que já não sofre os efeitos diretos da abrasão marinha — revelou-se propício à implantação de acampamentos temporários, respondendo a uma estratégia de subsistência perfeitamente integrada na paleopaisagem do Baixo Tejo e da Fachada Atlântica.

 Numa fase de recuo da linha de costa, esta plataforma dominante funcionava como um posto de observação de excelência, garantindo o controlo e a vigilância sobre as potenciais movimentações de grupos humanos em deslocação de herbívoros que cruzavam as planícies inferiores. Adicionalmente, o posicionamento elevado assegurava o acesso imediato às cascalheiras pliocénicas, ricas em seixos utilizados como matéria-prima para um talhe lítico expedito, em que a presença minoritária do sílex indicia a circulação ou introdução de suportes exógenos. Esta vantagem tecnológica articulava-se ainda com a proximidade a linhas de água sazonais e com a inserção numa zona de transição entre os ambientes do planalto e da área ribeirinha, beneficiando de condições superiores de salubridade, drenagem e conforto térmico face aos vales húmidos adjacentes.