PATRIMÓNIO
Condições de Acesso: Interdito
Cronologia: Período Medieval Islâmico
Propriedade/Natureza: Privada
Gestão/Entidade: Subestação de Trafaria: Redes Energéticas Nacionais (REN)
ENQUADRAMENTO LEGAL
Classificado: Não
Classificação/Proteção: Inventariado / Área de valor arqueológico potencial: qualquer tipo de intervenção relacionada com infraestruturas, incluindo as de saneamento e rede de águas, operações urbanísticas e atividades agrícolas ou florestais, se implicarem impactos significativos ao nível do subsolo, deve ser precedida de trabalhos arqueológicos de diagnóstico, podendo implicar ulteriores medidas de minimização e adaptações aos projetos de intervenção em função da avaliação dos elementos encontrados
Legislação Associada: Património Cultural, I. P. (CNS 13648); PDM de Almada
Murfacém 1
Sítio arqueológico situado na estrada de acesso à povoação de Murfacém (EN 377-1), identificado em 1976 por membros do Centro de Arqueologia de Almada. Os vestígios, recolhidos em talude, são característicos de uma ocupação centrada no período de domínio islâmico (c. séculos VIII d.C. — XII d.C.), destacando-se fragmentos de cerâmica de pasta avermelhada e acinzentada com pintura exterior a branco e preto, bem como um exemplar com vidrado melado.
O conjunto recuperado poderá indicar a presença de uma comunidade estável dedicada à exploração agrícola, potenciada pelas inovações tecnológicas introduzidas por influência árabe. A existência de estruturas complementares na região, como uma cisterna, reforça a hipótese de um núcleo habitacional e produtivo associado.
A memória desta ocupação terá persistido no próprio topónimo local. Segundo o Padre António Carvalho da Costa, a denominação derivará do termo árabe mohacen (barbeiro ou lugar do barbeiro), embora o autor, em consonância com Frei João de Sousa, se incline para a designação mofacem, não existindo um consenso inequívoco sobre a sua etimologia.
Na atualidade, as intervenções de melhoramento no traçado viário alteraram os perfis estratigráficos originais. Adicionalmente, a cota superior do terreno apresenta-se fortemente artificializada em virtude da construção e atividade da subestação elétrica local, fatores que inviabilizam o reconhecimento da ocorrência arqueológica.