O Salão das Carochas abriu-se, na passada sexta-feira, para receber o primeiro encontro do seu novo cineclube, que juntou mais de 60 pessoas do sector, incluindo representantes do Instituto do Cinema e Audiovisual, a Academia Portuguesa de Cinema e o Plano Nacional de Cinema. O evento serviu como ponte de diálogo entre criadores, associações e organizações locais (Almada, Setúbal, Barreiro e Seixal) e nacionais, mas também para conversar sobre que passos seguir para afirmar a Margem Sul como espaço fundamental na realidade cinematográfica do país.
A diretora de Cultura da CMA, Rute Moura, começou por reforçar o compromisso de Almada com o cinema, elegendo a sétima arte como uma das correntes artísticas com maior potencial. “Desde o lançamento do CineCarochas que percebemos que existem muitos realizadores, produtores e associações a trabalhar em cinema em Almada. E que a cidade está a ser procurada, como já foi, para receber produções internacionais. É por isso que vamos avançar com uma Film Office, em 2027, e que continuaremos a apostar no cinema. Contamos convosco”, disse. O cinema será também uma das áreas em foco na candidatura à Capital Portuguesa da Cultura em 2027.
Seguiu-se um debate, moderado pelo programador do CineCarochas, José Paiva Capucho, entre Andreia Nunes (produtora da Wonder Maria e residente em Almada), Rita Cadima de Oliveira (gestora de marketing e comunicação de cinema, residente em Setúbal), Gonçalo Pina (realizador e produtor da Margem Sul) e Luís Almeida (realizador do filme “Filhos do Meio”). Ficou identificado que existem vários talentos por descobrir no território que precisam de espaços de conversa como o que foi proporcionado nesta sexta-feira, de que os municípios devem trabalhar em rede e que as autarquias devem formar e fixar público nas suas salas de cinema cada vez mais, já que as salas multiplex estão a perder espectadores.
Elsa Mendes, do PNC, depois de ter elogiado a aposta de Almada no cinema, pediu que o foco também possa estar nas escolas, com programas adequados a formar novos espectadores. Já do lado do presidente do ICA, Luís Chaby, que também marcou presença, ficou anunciado que está prestes a sair o resultado da auscultação que aquele organismo fez para estudar os públicos e os seus hábitos cinéfilos para que seja possível continuar a desenhar políticas públicas que ajudem a combater a crise do sector. Luís Chaby viu ainda com muito bons olhos o nascimento de uma Almada Film Office dizendo que “ o município tem todas as condições certas” para vingar nesta área.