PATRIMÓNIO
Condições de Acesso: Livre
Cronologia: Mesolítico; Neolítico
Propriedade/Natureza: Pública (municipal)
Gestão/Entidade: Câmara Municipal de Almada; União das freguesias de Charneca e Sobreda
ENQUADRAMENTO LEGAL
Classificado: Não
Classificação/Proteção: Inventariado / Área de valor arqueológico potencial: qualquer tipo de intervenção relacionada com infraestruturas, incluindo as de saneamento, rede de águas, operações urbanísticas, se implicarem impactos significativos ao nível do subsolo, deverá ser integral e continuamente acompanhada por arqueólogo, com efeito preventivo em relação à afetação de vestígios arqueológicos incógnitos, podendo implicar ulteriores medidas de minimização em função da avaliação dos elementos encontrados
Legislação Associada: PDM de Almada
Alto do Índio 1
Estação arqueológica identificada em 1980, implantada numa encosta suave de pequena elevação sobre depósitos de areias saibrosas plio-pleistocénicas, nas proximidades do Alto do Índio. O espólio recolhido evidencia duas fases de ocupação distintas.
O Período Mesolítico (c. 8000 a 5000 a.C.) está documentado por indústrias líticas em quartzito, designadamente calhaus raspadores e raspadores, que testemunham a passagem ou o acampamento temporário de grupos caçadores-recoletores cuja subsistência dependia diretamente dos recursos naturais envolventes.
Por sua vez, a fase do Neolítico Antigo (c. 5500 a 4500 a.C.) encontra-se representada por um núcleo de lascas e lâminas em sílex — potencialmente utilizadas no processamento de carne (corte ou raspagem), em trabalhos de madeira, osso e peles, ou na composição de armas de caça —, a par de um conjunto cerâmico que inclui exemplares lisos e fragmentos de bordo com mamilos e decorações impressas, executadas recorrendo a punção, unhadas e incisão de motivos em espiga de cereal. Regista-se, contudo, a ausência de indícios superficiais de estruturas habitacionais ou de apoio, tais como cabanas, fogueiras ou redis.
Os vestígios descobertos apontavam para um provável povoado de organização espacial dispersa, cuja cronologia recua a meados do V milénio a.C. À data da sua identificação, este contexto assumia uma enorme relevância científica por representar o testemunho mais recuado detetado neste território. O sítio correspondia aos primeiros processos de sedentarização em paisagens de morfologia suave, solos férteis e proximidade a linhas de água, onde as comunidades desenvolviam uma economia agro-pastorícia incipiente, baseada no cultivo de cereais e na emergente domesticação de gado. Esta atividade produtora seria complementada pela caça, pela pesca e pela recoleção estuarina.
O sítio foi, posteriormente, integralmente destruído em consequência de trabalhos mecânicos de modelação e terraplenagem no decurso de obras de construção civil, sem que tenham sido acauteladas as devidas medidas de salvaguarda patrimonial.