PATRIMÓNIO
Condições de Acesso: Livre
Cronologia: Finais do século XVIII / inícios do XIX
Propriedade/Natureza: Pública (municipal)
Gestão/Entidade: Câmara Municipal de Almada; União das Freguesias de Almada, Cova da Piedade, Pragal e Cacilhas
ENQUADRAMENTO LEGAL
Classificado: Não
Classificação/Proteção: Zona de Protecção (ZP) da Fábrica de Moagem do Caramujo (Imóvel de Interesse Público, segundo despacho do Ministério da Cultura, em 27 de Março de 1997); Inventariado / Área de valor arqueológico consolidado: qualquer tipo de intervenção relacionada com infraestruturas, incluindo as de saneamento, rede de águas, operações urbanísticas, se implicarem impactos significativos ao nível do subsolo, deverá ser integral e continuamente acompanhada por arqueólogo, com efeito preventivo em relação à afetação de vestígios arqueológicos incógnitos, podendo implicar ulteriores medidas de minimização em função da avaliação dos elementos encontrados
Legislação Associada: Decreto de Lei nº 5/2002, DR 1ª Série-B, nº42 de 19-02-2002; Património Cultural, I. P. (CNS 38072); PDM de Almada
Antigo Cais do Caramujo
O topónimo Caramujo (designação popular de um gastrópode, associada localmente a bivalves do género Ostrea) definia a faixa litoral entre a Mutela e o Alfeite (Sousa, 1985). Referenciada desde a Idade Média como zona ribeirinha de vocação agrícola, a área transformou-se na transição do século XVIII para o XIX com a construção dos primeiros cais e edifícios ligados à moagem, tanoaria e estaleiros navais. Contudo, foi a fixação das indústrias corticeiras, a partir da década de 1870, que alterou profundamente a paisagem urbana, convertendo o Caramujo num dos principais centros fabris do estuário do Tejo.
Uma intervenção arqueológica realizada decorreu do projeto de reordenamento do espaço público promovido pela Câmara Municipal de Almada, no âmbito do Programa Base de Arquitetura Paisagista para o Caramujo-Romeira (Cova da Piedade). A obra previa a requalificação da Rua Manuel José Gomes e a sua articulação com a Avenida Aliança Povo MFA e a Travessa da Praia. O projeto contemplava uma nova organização viária e pedonal, bem como a melhoria do conforto climático, potenciando a paisagem natural, a memória do local e as preexistências construídas com vista à revitalização urbana.
Os trabalhos de salvaguarda patrimonial incidiram parcialmente na Zona de Proteção (ZP) da Fábrica de Moagem do Caramujo — classificada como Imóvel de Interesse Público (Decreto n.º 5/2002, DR 1.ª Série-B, n.º 42, de 19-02-2002). O diagnóstico patrimonial assentou na abertura de três sondagens arqueológicas manuais, destinadas a identificar e expor o lajeado superficial e a face de acostagem do antigo cais oitocentista.
Os resultados obtidos ofereceram uma leitura preliminar e circunscrita do contexto. Devido à dimensão delimitada das áreas intervencionadas, as quadrículas escavadas revelaram-se insuficientes para uma caracterização global do estado de preservação do cais, cumprindo, contudo, o objetivo de fornecer uma avaliação de referência. Embora se identifiquem tramos potencialmente melhor preservados, a estrutura apresenta um estado de conservação heterogéneo ao longo do seu traçado. Registos fotográficos da década de 1970 já documentavam lacunas significativas no lajeado, as quais terão sido agravadas por aterros contemporâneos e pelas sucessivas movimentações de terras posteriores.