PATRIMÓNIO
Condições de Acesso: Livre
Cronologia: Neo-Calcolítico?
Propriedade/Natureza: Privada
Gestão/Entidade: Não determinada
ENQUADRAMENTO LEGAL
Classificado: Não
Classificação/Proteção: Inventariado / Área de valor arqueológico potencial: qualquer tipo de intervenção relacionada com infraestruturas, incluindo as de saneamento e rede de águas, operações urbanísticas e atividades agrícolas ou florestais, se implicarem impactos significativos ao nível do subsolo, deve ser precedida de trabalhos arqueológicos de diagnóstico, podendo implicar ulteriores medidas de minimização e adaptações aos projetos de intervenção em função da avaliação dos elementos encontrados
Legislação Associada: PDM de Almada
Cantinho da Granja
O sítio arqueológico, identificado em parcelas de morfologia aplanada anteriormente dedicadas ao cultivo de produtos hortícolas e milho — as quais se encontravam, à data da prospeção, incultas e cobertas por um tapete herbáceo rasteiro em regeneração —, corresponde a um eventual habitat do período Neo-Calcolítico (c. 3500 a 2000/1800 a.C.). Esta ocupação reflete o horizonte de transição entre as últimas comunidades neolíticas do final do IV milénio a.C. e a emergência da Idade do Bronze, entre os finais do III milénio a.C. e os inícios do século VIII a.C. (aproximadamente entre 2200 a.C. e 800 a.C.); momento caracterizado pela transferência de assentamento de sítios de baixa altitude para povoados de altura.
O registo cultural documentado caracteriza-se por uma concentração de cerâmica manual associada a uma indústria lítica escassa, composta por seixos talhados de quartzito e lascas. Estas últimas poderiam ser utilizadas no processamento de carne (corte ou raspagem), em trabalhos de madeira, osso e peles, ou na composição de armas de caça. Regista-se, contudo, a ausência de indícios superficiais de estruturas habitacionais ou de apoio, tais como cabanas, fogueiras ou redis.
Esta realidade coincide com a fase em que as comunidades locais iniciaram os primeiros processos de sedentarização, escolhendo paisagens de morfologia suave, solos férteis e a proximidade de linhas de água. A população desenvolveria uma economia agro-pastorícia emergente e ainda incipiente, baseada no cultivo de cereais e na domesticação de gado, o que exigiu uma gestão planeada das matérias-primas e dos recursos hídricos envolventes. Esta atividade produtora seria complementada pela caça, pela pesca e pela recoleção estuarina e marítima, com um consumo expressivo da fauna malacológica disponível. Verifica-se, a este propósito, a prevalência neste local de conchas de amêijoa fortemente fraturadas, o que poderá indiciar o consumo destes recursos alimentares no próprio local.