PATRIMÓNIO
Visitável: Não
Condições de Acesso: Interdito
Cronologia: Séculos XIX / XX
Propriedade/Natureza: Pública (Estado)
Gestão/Entidade: Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) – Ministério das Infraestruturas e Habitação
ENQUADRAMENTO LEGAL
Classificado: Não
Classificação/Proteção: Parcialmente abrangido pela Zona de Proteção (ZP) do Palácio da Cerca
Legislação Associada: Decreto n.º 2/96, Diário da República n.º 56, Série I-B, de 6 de março; Portaria n.º 48/2014, Diário da República n.º 14, Série II, de 21 de janeiro
Companhia Portuguesa de Pesca
Núcleo industrial localizado no sopé da arriba, na margem ribeirinha do Tejo, entre a Fonte da Pipa e a Quinta da Arealva. No Olho de Boi, trabalhavam homens, mulheres e crianças, operários que se organizavam em várias associações, com importante papel social em Almada. Parte deste local pertencia aos condes de São Lourenço. Aqui funcionou, inicialmente, a Fábrica de Pano de Feltro, que trabalhava lã, fundada em 1841, uma das primeiras a vapor em território nacional. Dará depois lugar a uma outra unidade industrial, que trabalhava algodão, propriedade da Companhia de Fiação e Tecidos Lisbonenses (CFTL), a maior empresa têxtil portuguesa entre 1852 e 1881. Compreendia o uso de máquinas modernas e uma tinturaria de fio.
Motivada pelo forte desenvolvimento da indústria conserveira e da atividade piscatória, a Companhia Portuguesa de Pesca (CPP), criada em 1920, transferiu as instalações do Cais de Santos, onde funcionava, para o sítio do Olho de Boi, em 1922, tendo por objetivo principal tirar partido das condições oferecidas para a manutenção e aparelhagem das embarcações e da existência do edifício onde laborara a CFTL. A CPP viria a obter espaço suplementar para oficinas e armazéns avançando sobre o rio, mediante aterro e construção de uma plataforma apoiada sobre pilares.
Inicialmente, as instalações desenvolviam-se apenas a poente do local de chegada do arruamento que liga à zona alta, tendo o espaço a nascente, até à Fonte da Pipa, sido depois arrendado à Administração do Porto de Lisboa. A unidade industrial destinava-se a reparação e apoio a navios de pesca longínqua, tendo-se para esse efeito procedido à construção de diversos edifícios, bem como de uma plataforma de acostagem erigida sobre os pilares. Visando a autossuficiência, a CPP era um complexo industrial notável, com oficinas e armazéns capazes de assegurar a total manutenção das embarcações, a manufatura de aprestos e de equipamento náutico e o fornecimento de gelo, possuindo todos os bens necessários ao funcionamento da frota. O complexo dispunha ainda de um bairro social, localizado no extremo poente, num plano mais elevado e recuado no sopé da arriba.
A empresa foi nacionalizada em 1976, sucedendo-se nos anos seguintes sete comissões de gestão, encontrando-se a sua frota totalmente paralisada em 1977. Acabou extinta em 1984, sendo a gestão do complexo atribuída ao Instituto da Gestão da Natureza por delegação da Direção-geral do Património.