PATRIMÓNIO
Condições de Acesso: Condicionado a autorização prévia
Cronologia: Meados do século XV? ao século XX
Propriedade/Natureza: Pública (municipal)
Gestão/Entidade: Câmara Municipal de Almada
ENQUADRAMENTO LEGAL
Classificado: Não
Classificação/Proteção: Inventariado / Área de valor arqueológico consolidado: qualquer tipo de intervenção relacionada com infraestruturas, incluindo as de saneamento, rede de águas, operações urbanísticas, se implicarem impactos significativos ao nível do subsolo, deverá ser integral e continuamente acompanhada por arqueólogo, com efeito preventivo em relação à afetação de vestígios arqueológicos incógnitos, podendo implicar ulteriores medidas de minimização em função da avaliação dos elementos encontrados
Legislação Associada: Património Cultural, I. P. (CNS 36230); PDM de Almada
CONTACTOS
Ermida do Espírito Santo
O projeto de intervenção na Ermida do Espírito Santo, prévio às obras de requalificação do espaço, foi delineado com o objetivo de elucidar dúvidas estruturais e clarificar questões históricas que permaneciam pendentes nas conclusões de vários estudos de âmbito local. No âmbito desta estratégia de diagnóstico, foram identificadas e intervencionadas oitenta e seis sepulturas pertencentes a uma necrópole situada no interior do edifício — um templo de nave única que se caracteriza como uma construção baixa, contrafortada e estruturada sobre paredes laterais autoportantes que terão mitigado os danos sofridos aquando do terramoto de 1755.
No plano cronológico, embora parte da historiografia aponte a sua construção para o século XVI, vários autores recuam a sua fundação a meados do século XIV. Esta hipótese ganha consistência face ao forte impulso que o culto ao Espírito Santo registou no reinado de D. Dinis (1279–1325).
Atendendo a que, em 1297, Almada foi integrada nos bens da coroa por iniciativa deste monarca — cessando o domínio da Ordem de Santiago —, torna-se plausível inferir que o levantamento do templo tenha ocorrido logo no início do século XIV. Independentemente da sua génese histórica, a ermida permaneceu sob a administração perpétua da Colegiada de Santa Maria do Castelo.
O registo artefactual recuperado integra maioritariamente elementos arquitetónicos remanescentes de anteriores reformas do espaço, com especial incidência em fragmentos de azulejaria policroma (séculos XVII e XVIII). Este espólio encontrava-se associado, de forma anárquica, a artefactos de cariz religioso e simbólico e a vestígios indumentários, tais como restos de mortalhas e calçado.
Do conjunto material destacam-se exemplares de rosários (na sua maioria incompletos), cruzes latinas em madeira e cobre, botões, numismas e fivelas. Foram igualmente recolhidos fragmentos de cerâmica de uso comum que, apesar da sua reduzida dimensão, revelaram um importante valor diagnóstico para o afinamento cronológico do contexto fúnebre.