Exposição «Redeiras», de Ally Nolan
Em 2025, a artista irlandesa Ally Nolan esteve em residência artística em Olho de Boi, Almada. Após descobrir que o estúdio onde se encontrava tinha sido uma fábrica de redes da Companhia Portuguesa de Pesca (em atividade entre 1920 e 1984), começou a pesquisar sobre as mulheres que aí trabalhavam, urdindo redes de pesca à mão – as redeiras.
Reconhecendo semelhanças entre o ofício das redeiras almadenses e algumas tradições artesanais femininas na Irlanda, onde a produção e o conserto manuais também faziam parte da vida laboral das mulheres, Nolan estabeleceu paralelismos inspiradores para a sua prática artística. Os primeiros estudos foram desenvolvidos utilizando transferências de fotografias de arquivo, bordado manual, acrílico, gravura a laser e burel. O projeto foi sendo continuamente aprofundado, durante cerca de um ano, como resposta às histórias do lugar.
A exposição apresenta, assim, peças do acervo do Museu de Almada – incluindo fotografias, documentos de arquivo, utensílios e ferramentas – que contextualizam os trabalhos têxteis recentemente criados pela artista. O foco permanece nas Redeiras, no seu quotidiano e no seu trabalho – repetitivo, especializado e fisicamente desafiador.