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Património Arquitetónico

PATRIMÓNIO

Visitável: Não
Condições de Acesso: Interdito
Cronologia: Séculos XIX / XX
Propriedade/Natureza: Pública (municipal)
Gestão/Entidade: Câmara Municipal de Almada

ENQUADRAMENTO LEGAL

Classificado: Sim
Classificação/Proteção: Imóvel de Interesse Público (IIP)
Legislação Associada: Decreto n.º 5/2002, Diário da República n.º 42/2002, Série I-B, de 19 de fevereiro

Rua Manuel José Gomes, 2805-193 Almada

Fábrica de Moagem do Caramujo (antiga)

Outras designações
Fábrica Aliança
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Imagem representativa de PC09
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Imagem representativa de Fábrica de moagem do Caramujo - Aspeto da fachada posterior
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Imagem representativa de Fábrica de moagem do Caramujo - Entrada
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Imagem representativa de Fábrica de moagem do Caramujo - Enquadramento geral.

Edifício de grande relevância industrial, marco da indústria moageira portuguesa. Representativo da arquitetura industrial modernista, assume-se como importante testemunho etnográfico da vivência fabril e portuária almadense. As suas origens residem numa empresa fundada em 1865, integrando unidade fabril e cais de embarque, pela família Gomes, que explorava moinhos de maré desde inícios do século. A instalação e o crescimento exponencial da moagem industrial na Cova da Piedade – Caramujo fomentavam então fortemente o crescimento económico local.

Às instalações iniciais da fábrica, de Manuel José Gomes (1802–1881), foram sendo acrescentados outros edifícios, culminando com a introdução da máquina a vapor no final dos anos de 1880. Contudo, o empreendimento conhece um forte revés em junho de 1897, sendo já proprietário António José Gomes (1847–1909), filho do fundador, quando sofre um violento incêndio que quase a destruiu, restando de pé apenas as paredes. Conhecedor de novas técnicas de construção, António José Gomes (1847–1909), que sucedera a seu pai, encomenda um novo edifício: concluído em 1899, é o primeiro em betão armado no país. A obra ficou a cargo do ateliê de Hennebique (que patenteou esta nova técnica) e dos seus representantes. Incorporava todos os aperfeiçoamentos recentes exigidos pelo setor, nomeadamente o sistema austro-húngaro, que usava rolos de aço num método de moagem gradual.

Os seis pisos, diferenciados conforme as fases de produção, integravam o circuito produtivo num só sítio. Os dois primeiros pisos estruturam-se em pé-direito duplo, com altos janelões; um painel com o emblema da empresa encimava a fachada. Numa solução inovadora à época, o terraço do último piso estava coberto por uma toalha de água, que servia de protetor, isolante térmico e reservatório para combater incêndios. Ficaria conhecida até aos nossos dias como Fábrica Aliança, uma das últimas denominações. Inserida num conjunto industrial de edifícios de armazenagem, habitação operária e infraestruturas complementares à atividade, sofre, nos anos 60, a última grande fase de modernização, construindo-se os silos cilíndricos adossados ao edifício e reapetrechando-se de maquinaria, alterando em muito a laboração.

Contudo, o declínio torna-se evidente ao fim de pouco tempo: a progressiva degradação da zona do Caramujo, devido ao assoreamento completo da zona da doca e à recessão industrial dos anos 80, condiciona a atividade de fábrica. Em 1993, o complexo fabril encerra, cessando a produção.