PATRIMÓNIO
Visitável: Sim
Condições de Acesso: Livre
Cronologia: Calcolítico; Idade do Ferro; Época Romana; Período Islâmico; séc. XII; séc. XVI; séculos XVII-XVIII, XIX e XX
Propriedade/Natureza: Pública (municipal)
Gestão/Entidade: Câmara Municipal de Almada
ENQUADRAMENTO LEGAL
Classificado: Sim
Classificação/Proteção: Imóvel de Interesse Público; Inventariado / Área de valor arqueológico consolidado: são interditos quaisquer trabalhos que impliquem a afetação desses bens patrimoniais com exceção de intervenções que decorram de projetos de valorização e / ou conservação e restauro desses mesmos vestígios
Legislação Associada: Decreto n.º 26-A/92, DR, I Série-B, n.º 126, de 1-06-1992; Património Cultural, I. P. (CNS 2483); PDM de Almada
HORÁRIO
Livre
CONTACTOS
Fábrica Romana de Salga de Peixe de Cacilhas
A Fábrica Romana de Cacilhas, foi descoberta em 1981 por elementos do Centro de Arqueologia de Almada, estimando-se que se tenha estabelecido durante o século I d.C., mantendo atividade contínua até ao século IV ou V d.C.. Localizada na margem sul do estuário do Tejo, a unidade industrial dedicava-se à salga de peixe e à produção de preparados piscícolas — como o célebre garum (molho de peixe fermentado) —, produtos destinados à exportação para as diversas províncias do Império.
O complexo estruturava-se em torno de um pátio central com planimetria em "U", no qual se distribuíam as cetárias, privilegiando um sistema de circulação dos trabalhadores e o acesso direto ao interior dos tanques. O pavimento original seria composto por opus signinum (argamassa hidráulica de cal, areia e fragmentos cerâmicos). Coberturas de telha cerâmica inclinadas asseguravam a iluminação e a ventilação naturais. Os trabalhos iniciais concentraram-se nas Cetárias I e II, onde se observaram sinais claros de reutilização do espaço após o abandono do núcleo fabril, destacando-se a presença de estruturas de combustão medievais e fragmentos de cerâmica de tradição islâmica (séculos VIII a XIII).
Entre 1987 e 1988, a investigação arqueológica expandiu-se para as Cetárias III a VI, abrangendo o pátio central, um tanque adicional e pequenas tinas destinadas à limpeza do pescado. Em 1997, sondagens num edifício reabilitado para a instalação de uma dependência bancária confirmaram a presença de novos tanques e a existência de estruturas habitacionais da Idade do Ferro (século VIII a.C. a século I a.C.).
Entre 2021 e 2022, o projeto de musealização do sítio impulsionou uma nova intervenção arqueológica que resultou na descoberta de uma estrutura de salga inédita (Cetária XI), de uma base de lareira e de diversas peças cerâmicas do século XIII, ocorrências que reiteram a reutilização do espaço durante o período medieval (século V a século XV).
No que respeita à cultura material exumada no complexo, destaca-se a recuperação de uma ânfora lusitana Almagro 51C (século III d.C. ao século V d.C.), assim como de fragmentos de terra sigillata itálica (século I a.C. a século I d.C.), sudgálica (século I d.C. ao início do século II d.C.), sobressaindo uma peça com a marca de oleiro “LEPD” (artesão Lepidus, centro produtor de La Graufesenque, em França, século I d.C.),reforçando a plena integração deste complexo fabril nas rotas comerciais do Mediterrâneo e da Gália.