PATRIMÓNIO
Condições de Acesso: Interdito
Cronologia: Época Romana
Propriedade/Natureza: Privada
Gestão/Entidade: Não determinada
ENQUADRAMENTO LEGAL
Classificado: Não
Classificação/Proteção: Inventariado / Área de valor arqueológico consolidado: qualquer tipo de intervenção relacionada com infraestruturas, incluindo as de saneamento, rede de águas, operações urbanísticas, se implicarem impactos significativos ao nível do subsolo, deverá ser integral e continuamente acompanhada por arqueólogo, com efeito preventivo em relação à afetação de vestígios arqueológicos incógnitos, podendo implicar ulteriores medidas de minimização em função da avaliação dos elementos encontrados
Legislação Associada: Património Cultural, I. P. (CNS 37967); PDM de Almada
Fábrica Romana de Salga de Porto Brandão
Identificado em 1989 por Armando Sabrosa, este sítio arqueológico corresponde a um complexo fabril de Época Romana (séc. III a.C. – séc. V d.C.), especializado na produção de preparados piscícolas. As respetivas estruturas, implantadas nas margens de uma antiga linha de água afluente do rio Tejo, ficaram parcialmente expostas no talude aberto pela construção da Rua 1.º de Maio. No local, permanecem visíveis em corte duas cetariae (tanques de salga) revestidas a opus signinum, uma argamassa muito resistente utilizada na época para construções sujeitas à água, cuja tipologia indicia a existência de uma unidade industrial de maior dimensão.
Em julho de 2026, uma visita técnica destinada a avaliar o estado de conservação da ocorrência patrimonial permitiu constatar que a remoção dos escombros de um edifício preexistente, localizado no n.º 9 da Rua 1.º de Maio, originou um talude artificial elevado. Este perfil, regularizado por meios mecânicos, exibia uma matriz composta por entulhos e aterros heterogéneos.
Após a limpeza superficial do terreno, e a uma cota coincidente com o troço da via recentemente pavimentada, identificou-se um novo tanque de salga ou de limpeza. Este elemento, localizado a cerca de treze metros a sudoeste do sítio referenciado, encontra-se profundamente mutilado por trabalhos de escavação e movimentações de terras anteriores — destinados à implantação de uma moradia e respetivo muro de delimitação —, bem como pela recente extração de resíduos.
O muro exterior da cetaria preserva um alçado de 123 cm e um aparelho com 68 cm de espessura. A partir do fundo do tanque, que assenta diretamente sobre um estrato de seixo rolado de pequena dimensão, a parede conserva 80 cm de altura, atingindo uma largura interna de 96 cm. Em corte, o comprimento linear visível é de 195 cm. As paredes, edificadas com recurso a blocos pétreos, encontram-se rebocadas e consolidadas por opus signinum, matéria que reveste, igualmente, o fundo do compartimento.