Skip to main content
Património Arqueológico

PATRIMÓNIO

Condições de Acesso: Livre
Cronologia: Paleolítico; Epipaleolítico
Propriedade/Natureza: Pública (Estado)
Gestão/Entidade: Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (administração)

ENQUADRAMENTO LEGAL

Classificado: Não
Classificação/Proteção: Inventariado / Área de valor arqueológico potencial: qualquer tipo de intervenção relacionada com infraestruturas, incluindo as de saneamento e rede de águas, operações urbanísticas e atividades agrícolas ou florestais, se implicarem impactos significativos ao nível do subsolo, deve ser precedida de trabalhos arqueológicos de diagnóstico, podendo implicar ulteriores medidas de minimização e adaptações aos projetos de intervenção em função da avaliação dos elementos encontrados
Legislação Associada: Património Cultural, I. P. (CNS 364); PDM de Almada

Estrada da Fonte da Telha 2825-494 Costa da Caparica

Fonte da Telha

Image
Imagem representativa de ARQ0003
Image
Imagem representativa de Fonte da Telha. Enquadramento parcial do sítio arqueológico (2022).

A identificação de vestígios arqueológicos estende-se por uma faixa costeira em contextos de encosta com vertente de pendente suave, caracterizada por uma matriz sedimentar predominantemente arenosa, típica de uma paisagem dunar.

O conjunto artefactual e estrutural recolhido no local integra indícios de ocupação humana, designadamente remanescentes de fogueiras e fundos de cabana, assinalados no corredor litoral entre a Fonte da Telha e a antiga Mina de Ouro da Adiça. A indústria lítica associada manifesta uma recorrência tecno-tipológica de cariz Languedocense — tradição que persistiu ou se desenvolveu ao longo do Epipaleolítico (c. 8000 a.C. — 7000 a.C.) e do Mesolítico (c. 7000 a.C. — 5500 a.C.), estendendo-se até ao Neolítico Antigo (c. 5500 a.C. — 4500 a.C.) —, a qual é evidenciada por seixos talhados unifacialmente, percutores e picos.

A fixação destas comunidades justifica-se pela excelente acessibilidade a um ecossistema litoral biologicamente muito produtivo, estratégico para a subsistência de grupos caçadores-recoletores. A proximidade à linha de costa garantia uma abundância de fontes alimentares previsíveis e de fácil captura, designadamente através da apanha de moluscos e da pesca. 

Estas evidências testemunham o estabelecimento de acampamentos sazonais ou temporários de populações nómadas orientadas para a exploração intensiva destes recursos marinhos, complementada pela recolha de plantas e pequenos animais na envolvente.

Adicionalmente, as praias e arribas forneciam uma fonte imediata de matérias-primas líticas (calhaus rolados de quartzito), permitindo o fabrico rápido e oportuno de ferramentas especializadas para o processamento de alimentos e descasque de bivalves, sem necessidade de deslocações para o interior do território.