PATRIMÓNIO
Condições de Acesso: Livre
Cronologia: Séc. XII e posteriores
Propriedade/Natureza: Pública (municipal)
Gestão/Entidade: Câmara Municipal de Almada; União das Freguesias de Almada, Cova da Piedade, Pragal e Cacilhas
ENQUADRAMENTO LEGAL
Classificado: Não
Classificação/Proteção: Inventariado / Área de valor arqueológico consolidado: qualquer tipo de intervenção relacionada com infraestruturas, incluindo as de saneamento, rede de águas, operações urbanísticas, se implicarem impactos significativos ao nível do subsolo, deverá ser integral e continuamente acompanhada por arqueólogo, com efeito preventivo em relação à afetação de vestígios arqueológicos incógnitos, podendo implicar ulteriores medidas de minimização em função da avaliação dos elementos encontrados
Legislação Associada: PDM de Almada
Fonte do Pombal
A Fonte do Pombal encontra-se documentada desde 1390, sendo que, em 1392, uma sentença judicial repartiu o seu caudal entre a gafaria de Cacilhas e os proprietários dos terrenos agrícolas limítrofes. Localizada no antigo caminho que, desde a Idade Média, ligava Almada aos Caranguejais, constitui uma das mais antigas estruturas de abastecimento do termo almadense.
Trata-se, na verdade, de uma nascente protegida por um torreão que, na sua origem, terá sido ameado, cujo acesso se faz através de um arco em ogiva, característico da arquitetura gótica, encimado por um brasão com as armas reais de D. João I que vincavam o uso público da fonte. Tipologicamente, enquadra-se nas chamadas fontes cobertas, arcadas, de mergulho ou chafurdo, sendo composta por um tanque protegido por uma estrutura de pedra abobadada onde, para aceder ao líquido e ali mergulhar o balde, se desciam um ou dois degraus.
Em 1647, o torreão foi sujeito a obras de restauro, data em que o brasão original terá sido substituído pelo atual, e, mais tarde, em 1723, a estrutura beneficiou de novos melhoramentos por conta do concelho e do povo, tal como constava numa epígrafe retirada do local, datando dessa época a construção do espaldar e do tanque lateral em cantaria, destinado a servir de bebedouro para o gado.
O acesso ao complexo fazia-se por uma rampa empedrada e, para impedir a entrada de carroças, foram colocados dois pilaretes de pedra no final do século XIX, seguindo-se, no início do século XX, a construção de um depósito alimentado pelo manancial da mina que a população extraía através de uma bomba manual.
Contudo, com o passar dos anos, a qualidade do recurso foi-se deteriorando, o que levou a Câmara Municipal de Almada, na década de 30, a instalar um chafariz no cimo da rampa de acesso, ligado à rede de abastecimento público, terminando, desta forma, séculos em que este espaço cumpriu a dupla função de abastecer a população e dessedentar os animais. Por razões que se prendem com a urbanização da zona, o conjunto acabou por ser aterrado na década de 60, altura em que a inscrição e o brasão foram salvaguardados e depositados no Convento dos Capuchos, à guarda da autarquia, por iniciativa de Mário Pires Bento.
A fonte permaneceu oculta até 1993, ano em que as obras de construção da sede do Clube Recreativo Pombalense permitiram a sua colocação a descoberto e recuperação, acompanhada pela Divisão de Museus da autarquia, culminando na sua reabilitação final em 1995, momento em que o município assinalou o facto com uma placa onde se lê: “Por água vamos à fonte / de uma sede apetecida / fica o passado defronte / do presente desta vida / Câmara Municipal de Almada / 29-04-95”.