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Ambiente
23 January 2026

Linaria almadensis - Nova espécie de planta descoberta nas arribas do Tejo

A planta, única no mundo e até aqui não reconhecida pela ciência, foi identificada na zona de escarpas ou arribas do Gargalo do Tejo, em Almada. Este é um momento singular para a investigação botânica portuguesa, já que não é todos os dias que uma equipa de investigadores pode revelar e celebrar a descoberta de uma nova espécie em Portugal.
 

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Linaria almadensis © João Farminhão
Linaria almadensis © João Farminhão
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Linaria almadensis © João Farminhão
Linaria almadensis © João Farminhão

Com pétalas que se separam entre o branco e tons de amarelo - mais esbatidos e mais vivos -, tem mais abaixo, no tubo de néctar ou esporão, uns traços de violeta. O investigador que a descobriu, João Farminhão, do Centro de Ecologia Funcional da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, em declarações ao Jornal Público, conta que esta linária “é muito bonita e é a planta mais almadense à face da Terra. Só há mesmo nas arribas do chamado Gargalo do Tejo, entre o Cristo Rei e a Trafaria”.

Descoberta num local que os cientistas descrevem como “encostas e terraços arenosos junto a rochas calcárias”, a Linaria almadensis é uma espécie endémica, ou seja, só existe neste ponto geográfico específico do estuário do Tejo, em Almada. Ainda que exemplares desta planta tivessem sido recolhidos pela primeira vez em meados do século XIX, apenas recentemente se confirmou, no âmbito de uma revisão taxonómica publicada na revista científica Botany Letters, que se trata de um táxon distinto.

O investigador responsável pelo estudo, João Farminhão, destaca as características morfológicas que distinguem esta espécie de outras congéneres, nomeadamente a forma das folhas e a coloração própria da corola. A ocorrência extremamente restrita da Linaria almadensis - com apenas algumas dezenas de exemplares conhecidos - levou à sua classificação como “criticamente em perigo”, o mais elevado nível de ameaça de extinção segundo os critérios da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).  

A localização das plantas, em paredões muito íngremes junto ao Cristo-Rei, torna o acesso ao local difícil e potencialmente perigoso para o público em geral. Por essa razão e devido ao seu estado crítico de conservação, não se recomenda a visita aos locais de observação sem acompanhamento técnico especializado. É a única forma de proteger tanto os visitantes como os próprios exemplares e o seu frágil habitat.

Esta descoberta reforça a importância ecológica das arribas do Tejo e demonstra que ainda há muito por descobrir na natureza e na biodiversidade local, mesmo em áreas muito próximas do perímetro urbano de Almada. A identificação de uma espécie única como a Linaria almadensis sublinha ainda a responsabilidade, que deve ser de toda a comunidade, na conservação dos ecossistemas ribeirinhos, bem como a urgência de medidas de proteção dirigidas a esta e a outras espécies com distribuição tão restrita.