PATRIMÓNIO
Condições de Acesso: Interdito
Cronologia: Mesolítico / Neolítico Final?
Propriedade/Natureza: Privada
Gestão/Entidade: Não determinada
ENQUADRAMENTO LEGAL
Classificado: Não
Classificação/Proteção: Inventariado / Área de valor arqueológico elevado: qualquer tipo de intervenção relacionada com infraestruturas, incluindo as de saneamento, rede de águas, operações urbanísticas, se implicarem impactos significativos ao nível do subsolo, deverá ser integral e continuamente acompanhada por arqueólogo, com efeito preventivo em relação à afetação de vestígios arqueológicos incógnitos, podendo implicar ulteriores medidas de minimização em função da avaliação dos elementos encontrados
Legislação Associada: Património Cultural, I. P. (CNS 36031); PDM de Almada
Marco Pacheco
Sinalizada em 1979 por membros do Centro de Arqueologia de Almada, esta estação arqueológica localiza-se junto ao Vértice Geodésico Pacheco, integrada numa antiga área agrícola. A ocupação do sítio assenta numa cascalheira do Plio-Plistocénico e poderá remontar ao estabelecimento de uma comunidade de pastores há cerca de 6500 a 7000 anos.
No local, foi recolhida à superfície mais de uma centena de artefactos. Deste conjunto, destacam-se um polidor de machados, duas mós em arenito e um núcleo trapezoidal de lamelas, além de lâminas, furadores e raspadores, todos talhados em sílex. Associava-se, ainda, o bordo de uma vasilha cerâmica de fabrico manual com decoração impressa.
Este espólio sugere uma transição cronológica entre o Mesolítico (c. 10 000 a.C. – 6 000 a.C.) e o Neolítico (c. 6 000 a.C. – 3 000 a.C.), sendo o primeiro horizonte cultural evidenciado por pequenas peças de quartzo e sílex, representativas de uma economia de subsistência assente na caça, na pesca e na recoleção de recursos estuarinos.
Por seu turno, a transição para a fase seguinte está documentada pelo polidor e pelo núcleo lítico. Este momento corresponde ao período em que as comunidades locais se fixaram neste cabeço dominante, de morfologia suave e terrenos férteis, desenvolvendo uma economia agro-pastorícia de moldes incipientes, baseada no cultivo de cereais e na domesticação de gado, o que implicou uma gestão mais planeada das matérias-primas e dos recursos hídricos envolventes.
Contudo, a escassez de cerâmica característica dificulta uma atribuição cronológica mais precisa. Infelizmente, o posterior crescimento urbano na região acabou por ditar a destruição quase integral deste importante contexto cultural.