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Património Arqueológico

PATRIMÓNIO

Condições de Acesso: Livre
Cronologia: Paleolítico; Epipaleolítico; Mesolítico; Calcolítico
Propriedade/Natureza: Pública (municipal)

ENQUADRAMENTO LEGAL

Classificado: Não
Classificação/Proteção: Inventariado / Área de valor arqueológico elevado: todos os projetos ou operações urbanísticas que impliquem impactos significativos ao nível do subsolo, tais como infraestruturas subterrâneas, fundações, remodelação de terra, devem ser precedidos de trabalhos arqueológicos prévios de caracterização e diagnóstico (sondagens e escavações) que promovam a adequação das soluções propostas ao valor científico e patrimonial dos bens
Legislação Associada: Património Cultural, I. P. (CNS 182); PDM de Almada

Rua do Miradouro dos Capuchos 2825-041 Caparica

Miradouro dos Capuchos

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Imagem representativa de ARQ0001
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Imagem representativa de Miradouro dos Capuchos. Fragmento de bordo de cerâmica Campaniforme (1988).
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Imagem representativa de Miradouro dos Capuchos. Fase final de intervenção.
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Imagem representativa de Miradouro dos Capuchos. Fragmentos cerâmicos residuais (2022).
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Imagem representativa de Miradouro dos Capuchos. Perspectiva atual do sítio.
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Imagem representativa de Miradouro dos Capuchos. Fase de trabalho (1988).

A estação arqueológica do Miradouro dos Capuchos, implantada no topo da Arriba Fóssil da Costa da Caparica, representa um dos testemunhos mais significativos da presença humana pré-histórica no concelho de Almada.

Identificada, no ano de 1975, por elementos do Centro de Arqueologia de Almada (CAA), o sítio corresponderia a um eventual acampamento de ar livre estrategicamente posicionado, uma vez que a sua localização privilegiada garantia às comunidades instaladas um amplo domínio visual sobre a linha de costa e rede hidrográfica próxima, facilitando o acesso a recursos naturais e o controlo de movimentos de grupos ou animais. Em 1988, a progressiva erosão da falésia justificou uma intervenção de salvamento assegurada, em parceria, por elementos do CAA e Museu de Arqueologia e História da Divisão de Museus da Câmara Municipal de Almada.

De entre o espólio recolhido, destacam-se os materiais líticos de tecnologia languedocense, cronologicamente enquadrados entre o Mesolítico e o Neolítico inicial (c. 8000 a 5000 a.C.), embora alguns machados desta tipologia se estendam, excecionalmente, até à Idade do Bronze. Esta indústria baseava-se no aproveitamento expedito de matérias-primas locais, transformadas em utensílios funcionais através de escassos golpes de percussão.

A ação de salvaguarda revelaria, também, a presença de estruturas de combustão datáveis do Calcolítico Final (2500 a.C. / 2200 a.C.), estruturadas com recurso a seixos rolados de quartzito. A indústria lítica recolhida demonstra um eficaz domínio da técnica de talhe sobre sílex, aplicada na produção de lascas, lâminas, furadores e serrinhas, domínio do fabrico de machados de pedra polida e mós de arenito evidenciando a estabilização de uma economia baseada na moagem de cereais. Cadinhos, punções e escórias de cobre comprovam a prática da metalurgia. De entre o conjunto cerâmico diversificado obtido, destacam-se as peças de estilo campaniforme, com decoração incisa e pontilhada, a par de queijeiras (vasos perfurados para a transformação de laticínios), malgas, taças carenadas, esféricos altos e grandes vasilhas de armazenamento, eventualmente utilizados para acondicionamento de excedentes alimentares.

Atualmente, ainda se verifica a existência de fragmentos cerâmicos residuais, dispersos sobre a superfície, caracterizados pela pequena dimensão e bastante rolados, em concomitância com líticos quartzíticos exibindo vestígios de extração de lascas. O local encontra-se bastante afetado por acumulação de resíduos de origem humana.