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A Fortaleza da Torre Velha (ou Torre de S. Sebastião da Caparica) é considerada a mais antiga fortificação portuguesa de defesa marítima e um dos mais importantes exemplares da arquitetura militar renascentista portuguesa. É percursora de uma longa série de fortificações construídas nas margens do rio. Integrava inicialmente um sistema de defesa da barra do Tejo, com o Baluarte de Cascais e a Torre de Belém, em frente à qual está implantada, no sítio de menor distância entre as margens. As obras de construção iniciaram-se em 1481/82, a mando de D. João II, no local do chamado Forte da Caparica, tendo possivelmente ficado concluídas em 1488. O núcleo principal tem, na base, um baluarte com torre de vigia virada para a foz, no qual eram colocadas as peças de artilharia de maior calibre; a partir daqui, desenvolve-se em três níveis sobrepostos numa estrutura composta por corredores de tipo casamata. Na plataforma superior, acessível por umas escadas, encontra-se a torre, de planta quadrangular, rebaixada, com porta e janelão, apresentando vestígios de um piso superior, com cobertura em abóbada de berço, sobre a qual se desenvolve um terraço com escada exterior. Planta em U com três corpos, localizados a sul: dois delimitam a esplanada da bateria junto à arriba, o terceiro une-os. Apresenta três baluartes com casernas, situados a noroeste, a sudoeste e a sul. Sobre a muralha, encontram-se canhoeiras e um fosso, edificado ao longo da cortina nascente. A antiga porta da praça, junto à qual se ergue uma capela dedicada a S. Sebastião, exibe um escudo com as armas de Portugal. Em 1575, concluem-se obras de reforma e ampliação, passando a chamar-se Fortaleza de São Sebastião da Caparica. Durante o Período Filipino, volta a ser modernizada, sendo então conhecida por Torre dos Castelhanos. No final do século XVIII, registam-se novas obras de consolidação da estrutura. Em 1801, as fortalezas da Margem Sul são desativadas; na década seguinte, a Torre Velha é transformada em lazareto, destinada a quarentenas de passageiros e tripulantes marítimos. No ano de 1832, é brevemente reativada para uso militar. Em 1859, deixa de servir de lazareto, devido à construção, nas proximidades, de um edifício para esse fim. Desclassificada como praça militar em 1894, é depois usada como depósito e alojamento. Declarada Monumento Nacional em 2012, encontra-se hoje em ruínas e inacessível.
Porto Brandão, 2825 CAPARICA
Tipo de património cultural