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Construído em 1558, por iniciativa de Lourenço Pires de Távora, destinava-se ao alojamento de uma comunidade de frades da Ordem de São Francisco. Conjunto religioso da invocação de Nossa Senhora da Piedade, encontrava-se vocacionado para uma vida religiosa de recolhimento, oração, contemplação e pobreza, tendo sido edificado em obediência às regras da irmandade: construção modesta, austera e despojada. No piso inferior, além de dependências ligadas ao culto, dispunha de refeitório, cozinha, despensa, celeiro, lagar e adega (não possuiria enfermaria ou hospedaria); o acesso ao claustrim fazia-se pela retaguarda. No piso superior, existiriam 42 celas, pequenas divisões propicias ao isolamento e à meditação. No exterior, em torno das dependências conventuais, uma cerca, com terreno agrícola, nichos, um tanque com bica de nascente e uma pequena ermida dedicada a São Pedro, assim como um alpendre, uma torre com relógio e um cemitério. A edificação foi sofrendo alterações, tendo assumido as características atuais no século XVII, com o acrescento de um segundo piso e da janela central, encimada por nicho ocupado pela imagem de Santo António. Exibe triplo pórtico de colunas simples, arco ao centro e grades de ferro, que encerram a galilé. À esquerda, em escudo orlado, as Armas dos Távora; e, à direita, o símbolo da Ordem Franciscana. Encontra-se rematado por cimalha de duplo recorte. No topo dos corpos laterais, são visíveis duas pequenas janelas. É abalado na sequência do Terramoto de 1755. Encerra após a extinção das ordens religiosas, em 1834, e a saída do último frade; é arrematado a particulares em 1872. As terras são depois entregues a rendeiros, adaptando-se os edifícios do convento a apoio agrícola e habitação. O edificado degrada-se gradualmente, e o recheio desaparece. É adquirido em estado de ruína, no ano de 1950, pela Câmara Municipal de Almada, tendo sido restaurado. Desde então, o edifício tem beneficiado de intervenções de restauro, ampliação e requalificação. Foi enriquecido com painéis de azulejos contemporâneos, representando cenas alusivas aos sermões de Santo António, e várias esculturas de Domingos Soares Branco, autor da imagem de Nossa Senhora da Conceição, presente no altar-mor, e de todas as imagens colocadas nos nichos do jardim. Do Museu Nacional de Arte Antiga, veio o retábulo em talha dourada do altar-mor da capela, bem como algumas telas e outros objetos seiscentistas. Contudo, nada foi recuperado do espólio original.
RUA LOURENÇO PIRES DE TÁVORA, 2825-014 CAPARICA
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212 919 342
Tipo de património cultural