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O desenvolvimento da atividade industrial, a partir da segunda metade do século XIX, com a fixação das indústrias corticeira, moageira e naval, transformou a Cova da Piedade num importante centro fabril, modificando e modernizando a sua paisagem. A memória do industrial moageiro António José Gomes, falecido a 9 de dezembro 1909, homem rico e industrial esclarecido, proprietário da moagem Sociedade Aliança, apaixonado pelas inovações tecnológicas que trazia das viagens ao estrangeiro, é uma referência desse desenvolvimento, que se encontra materializada no seu palacete, edificado em terrenos da antiga Quinta da Piedade. Da origem do edifício, pouco ou nada se conhece, nomeadamente o projeto, a autoria ou mesmo a data de edificação, a qual deverá situar-se em finais do século XIX ou inícios do XX. É um imóvel de padrão neoclássico, de planta longitudinal, com telhado a quatro águas, dois andares e mansarda, cuja fachada – simétrica, com um corpo central e dois laterais, com motivos decorativos alusivos à indústria e ao comércio, patentes nas duas alegorias que rematam o edifício, e varandas em ferro forjado – está integrada na rua através de um muro com portão de ferro forjado, suportado por pilastras e, do lado oposto, um corpo que correspondia às antigas cavalariças e se abria para o largo principal da então vila e para a igreja matriz. No interior, possui pinturas românticas e arte nova, vitrais e tetos ornamentados a estuque. À casa de habitação, agregavam-se anexos de lavoura, cocheira, garagem, terrenos agrícolas e noras: uma que servia a casa; e outra, em ferro, com sistema de elevação de água, que pertencia à propriedade e abasteceria a quinta e os jardins, a qual se encontra atualmente em terrenos da Escola EB 2/3 Comandante Conceição e Silva. Existia, também, o edifício da máquina a vapor, que gerava a eletricidade da casa e dos candeeiros do exterior, enquanto a iluminação pública permanecia a petróleo. Depois da morte do proprietário, mantém-se habitado pela viúva, que mais tarde se muda para Lisboa. Em 1975, então em estado de abandono e sem utilização, mas ainda com o recheio, foi ocupado pela LUAR (Liga de Unidade e Ação Revolucionária), que aí instala uma clínica comunitária materno-infantil. Em 1988, o palacete é cedido à Sociedade Filarmónica União Artística Piedense (SFUAP), na sequência do incêndio ocorrido em dezembro de 1987, que destruiu parte das suas instalações.
Largo 5 de Outubro, n.º 35-38, Cova da Piedade, 2805-119 Almada
Tipo de património cultural