On
A Quinta de São Lourenço, uma das mais vastas do concelho, está implantada no cume de uma encosta que desce até ao Tejo, onde existiu um pequeno ancoradouro de acesso direto à propriedade (em cartografia antiga surge com frequência o topónimo Porto de São Lourenço). Foi pertença dos condes da Cunha, que mantêm a sua posse até ao século XIX, cuja pedra de armas se pode observar sobre o portal de acesso. A propriedade é já mencionada em documentos da primeira metade do século XV. A quinta murada, com casa rural, assente em terrapleno, consiste num conjunto de edifícios de planta em L, de volumes articulados e coberturas diferenciadas, antecedida por alpendrada e rasgada por escada de acesso; é composta por casa de habitação, capela, edifícios de apoio agrícola e terrenos anexos. Algumas fontes documentais, bem como as características arquitetónicas e os azulejos seiscentistas, de padrão azul e branco, no alpendre e na fachada, apontam o século XVII como data provável de edificação da casa de habitação, de piso único. O programa iconográfico das salas revela-se invulgar e afasta-se de modelos decorativos vigentes à época: uma sala com brasões, outra com embarcações, outra ainda só com animais marcam o cunho pessoal e o gosto pouco erudito do autor da encomenda. Representações de galantaria, produzidas em 1742, convivem com cenas de atividades marítimas e de navegação. Os motivos reproduzidos terão sido inspirados em gravuras originais holandesas. A capela (S. Sebastião), cujo acesso se faz por um portal, encimado por frontão triangular, espelha uma arquitetura de influência pombalina. O seu interior divide-se em três naves, com lambril de azulejos barrocos policromados em todas as paredes. A nave principal tem uma falsa abóbada em madeira pintada e ornatos de estuque. A capela-mor, com azulejos com cenas hagiográficas (destaca-se o Martírio de São Lourenço) em azul e branco com cercaduras policromas (segunda metade do século XVIII), está coberta por uma abóbada rebaixada pintada. Nos séculos XVIII e XIX, terão ocorrido obras e o acrescento do segundo piso. Já no século XX, durante os anos 70, a quinta é expropriada pelo Instituto de Gestão e Alienação do Património Habitacional do Estado (IGAPHE). O conjunto patrimonial foi sujeito a obras de recuperação, incluindo o espólio azulejar, num processo que implicou a desmontagem e o restauro no Museu Nacional do Azulejo. Em 1998, é cedida à Associação Vale de Acór (Instituição Particular de Solidariedade Social), que, após obras de recuperação, aí instala uma comunidade terapêutica.
Rua de Palença, 2805-286 Almada
geral@valedeacor.pt
Tipo de património cultural