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Estaleiro dedicado à construção naval em madeira, o único que, no concelho de Almada, manteve a sua atividade ao longo do século XX e que ainda se mantém in situ. Aparece referenciado no Plano Hydrographico do Porto de Lisboa, levantado de 1845 a 1847, sabendo-se que a construção naval teria, pois, lastro naquela zona. A construção de infraestruturas modernas ocorre nos anos de 1860, com instalação de máquina a vapor e de edifícios de apoio, encontrando-se em laboração plena em 1865, sob concessão da Empresa de Planos Inclinados. O estaleiro, com área de reparação naval em plano inclinado, era então pioneiro no país. Em 1949, são feitos melhoramentos nas instalações, nas quais se mantém a construção de navios, que acabarão vendidas em 1953. Pouco depois, a Cooperativa de Rebocadores «Os Catraeiros» passa a utilizá-las para apoio à respetiva frota. Estruturalmente, é constituído por um pontão de alvenaria paralelo à linha de costa para montante, no sentido oeste/este. Tem escadas de acesso em pedra, em ambos os lados. Apresenta três carreiras com carris, nas quais assentam carros de alagem acionados por engenho de tração instalado no topo da rampa; do lado de terra, adossado ao pontão, há um edifício de dois pisos, em alvenaria de tijolo, onde estão instalados armazéns, oficinas e escritórios. O estaleiro encontra-se hoje muito degradado, estando sob tutela da Administração do Porto de Lisboa; prevê-se a sua requalificação no âmbito de uma candidatura EEA Grants (2020-30).
Rua Bento de Jesus Caraça
Tipo de património cultural