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Núcleo industrial localizado no sopé da arriba, na margem ribeirinha do Tejo, entre a Fonte da Pipa e a Quinta da Arealva. Parte deste local pertencia aos condes de São Lourenço. Aqui funcionou, inicialmente, a Fábrica de Pano de Feltro, que trabalhava lã, fundada em 1841, uma das primeiras a vapor em território nacional. Dará depois lugar a uma outra unidade industrial, a qual trabalhava algodão, propriedade da Companhia de Fiação e Tecidos Lisbonenses (CFTL), a maior empresa têxtil portuguesa entre 1852 e 1881. Compreendia o uso de máquinas modernas e uma tinturaria de fio. No Olho de Boi, trabalhavam homens, mulheres e crianças, operários que se organizavam em várias associações, com importante papel social em Almada. Motivada pelo forte desenvolvimento da indústria conserveira e da atividade piscatória, a Companhia Portuguesa de Pesca (CPP), criada em 1920, transferiu as instalações do Cais de Santos, onde funcionava, para o sítio do Olho de Boi, em 1922, tendo por objetivo principal tirar partido das condições oferecidas para a manutenção e aparelhagem das embarcações e da existência do edifício onde laborara a CFTL. A CPP viria a obter espaço suplementar para oficinas e armazéns avançando sobre o rio, mediante aterro e construção de uma plataforma apoiada sobre pilares. Inicialmente, as instalações desenvolviam-se apenas a poente do local de chegada do arruamento que liga à zona alta, tendo o espaço a nascente, até à Fonte da Pipa, sido depois arrendado à Administração do Porto de Lisboa. A unidade industrial destinava-se a reparação e apoio a navios de pesca longínqua, tendo-se para esse efeito procedido à construção de diversos edifícios, bem como de uma plataforma de acostagem erigida sobre os pilares. Visando a autossuficiência, a CPP era um complexo industrial notável, com oficinas e armazéns capazes de assegurar a total manutenção das embarcações, a manufatura de aprestos e de equipamento náutico e o fornecimento de gelo, possuindo todos os bens necessários ao funcionamento da frota. O complexo dispunha ainda de um bairro social, localizado no extremo poente, num plano mais elevado e recuado no sopé da arriba. A empresa foi nacionalizada em 1976, sucedendo-se nos anos seguintes sete comissões de gestão, encontrando-se a sua frota totalmente paralisada em 1977. Acabou extinta em 1984, sendo a gestão do complexo atribuída ao Instituto da Gestão da Natureza por delegação da Direção-geral do Património.

Olho de Boi
Tipo de património cultural