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Supõe-se que o topónimo «Arealva» tenha tido origem numa praia de areia branca posteriormente encoberta por aterros. Durante o reinado de D. João II, terá sido aqui erigido um forte que fazia parte do sistema defensivo da Margem Sul. Mais tarde, no final de Seiscentos, ergueu-se nova fortificação, o Forte da Fonte da Pipa, abandonado cerca de um século depois, quando se construíram alguns edifícios de traça pombalina que serviriam de residência a proprietários vinícolas estabelecidos no Ginjal. Sabe-se que João O’Neill, nobre irlandês exilado, se estabeleceu na quinta em 1757, dedicando-se ao negócio dos vinhos; deve-se a ele, em 1767, a construção de uma ermida no interior do edificado. Em 1813, o sector ribeirinho entre o Forte da Fonte da Pipa e o Forte da Arealva encontrar-se-ia ocupado por armazéns de vinho, sendo os do lado nascente propriedade dos Paliarte, residentes na Quinta de S. Paulo, e os do lado poente de Domingos Afonso. Em 1861, a quinta pertencia ainda a Domingos Afonso, importante proprietário, que, com os Paliarte, dividia toda a área entre a Arealva e o Olho de Boi. Em 1916, a quinta foi adquirida pela Sociedade Vinícola do Sul de Portugal, criada, em 1913, por João H. Serrasendo, dando origem às adegas da Empresa Arealva, última empresa do ramo a laborar na frente ribeirinha. O vinho armazenado provinha das regiões do Douro, Dão e Vinho Verde, sendo estabilizado e envelhecido para posterior comercialização no Reino Unido, onde a empresa dispunha de representação desde 1931. Encerrou a atividade durante os anos 60 do século XX. Para além de uma localização excecional, a quinta dispõe de um interessante património industrial associado à atividade vínica. O edificado é composto por três corpos principais. No plano superior, localiza-se o edifício principal, lavrado por incêndio, onde funcionavam a residência e os escritórios. No plano inferior, junto ao cais de acostagem, situam-se os edifícios afetos à armazenagem. Finalmente, em plano mais recuado junto ao sopé da arriba, é reconhecível um edifício com engenhos de prensa. Todo o conjunto se encontra em avançado estado de degradação, tendo sido leiloado em 2020.
Olho-de-Boi - CPP; Azinhaga do Forno do Tijolo (Cristo Rei)
Tipo de património cultural