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O topónimo Fonte da Pipa deve-se à nascente de água doce existente no Olho de Boi e à forma como era feito o transporte de água (em barris ou pipas) para a vila de Almada. Assumiu-se como principal fonte de abastecimento, quer para os residentes da vila, quer para os navios que aí acostavam; o lavadouro público revestia-se também de grande importância. Existente pelo menos desde os séculos XV/XVI, a construção de estilo barroco incluía uma rampa que servia de varadouro, uma muralha de pedra aparelhada que o circundava, formando uma plataforma com parapeito e adornada com quatro gárgulas em pedra, terminando em carrancas. Ao longo dos tempos, várias intervenções foram sendo feitas, a principal a de 1736, quando são realizadas obras de grande envergadura por iniciativa régia, financiadas com dinheiros obtidos através de um imposto lançado sobre os açougues da vila. A fonte toma então o aspeto atual. Os arranjos centraram-se na estrutura, edificando-se a parede do frontispício e colocando-se o brasão régio joanino, de características barrocas, conforme a sua forma mais tardia, e no melhoramento do caminho de acesso. Ostenta uma inscrição alusiva: «A obra desta fonte e seu caminho se fes por orde de sua magtde a susta do povo desta vila e seu termo por trabuto q. se lhe empos nos asougues da dita vila e seu trª de tres reis em cada ara(t)ee de carne pera pagamento da dita obra na era de 1736.» No final do século XVIII, era um dos portos de mar do termo de Almada, podendo nele acostar até dezoito embarcações, sobretudo lanchas. Em 1921, a Câmara Municipal instalou uma bomba para elevar a água até ao chafariz situado na atual praça José Alaíz, obra realizada num contexto de dificuldade crescente no abastecimento à população. Este sistema de fornecimento manteve-se até aos anos 50, quando se efetivou a domiciliação da água. Nos anos 60, a nascente seca em definitivo.
Olho-de-Boi
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Tipo de património cultural