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Património Arquitetónico

PATRIMÓNIO

Visitável: Não
Condições de Acesso: Condicionado a autorização prévia
Cronologia: Séculos XIX / XX
Propriedade/Natureza: Pública (municipal)
Gestão/Entidade: Câmara Municipal de Almada

ENQUADRAMENTO LEGAL

Classificado: Sim
Classificação/Proteção: Monumento de Interesse Público (MIP) com Zona Especial de Proteção (ZEP)
Legislação Associada: Portaria n.º 622/2013, Diário da República n.º 182, Série II, de 20 de setembro

Largo 5 de Outubro, n.º 37, 2805-119 Cova da Piedade - Almada

Palacete de António José Gomes, incluindo o jardim, instalações para animais, cocheira e garagem

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Imagem representativa de PC03
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Imagem representativa de Sala 1º piso- Portas de correr com vitrais
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Imagem representativa de Pormenor escada de acesso às mansardas
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Imagem representativa de Portão de acesso ao jardim
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Imagem representativa de Sala 1º piso - Teto
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Imagem representativa de Hall de entrada, com piano original do Palacete
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Imagem representativa de Pormenor da fachada com estátua
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Imagem representativa de Pormenor do teto de sala do rés do chão
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Imagem representativa de Corredor exterior lateral, de acesso ao palacete e antiga garagem

O desenvolvimento da atividade industrial, a partir da segunda metade do século XIX, com a fixação das indústrias corticeira, moageira e naval, transformou a Cova da Piedade num importante centro fabril, modificando e modernizando a sua paisagem. A memória do industrial moageiro António José Gomes, falecido a 9 de dezembro de 1909, homem rico e industrial esclarecido, proprietário da moagem Sociedade Aliança, apaixonado pelas inovações tecnológicas que trazia das viagens ao estrangeiro, é uma referência desse desenvolvimento, que se encontra materializada no seu palacete, edificado em terrenos da antiga Quinta da Piedade.

Da origem do edifício, pouco ou nada se conhece, nomeadamente o projeto, a autoria ou mesmo a data de edificação, a qual deverá situar-se em finais do século XIX ou inícios do XX. É um imóvel de padrão neoclássico, de planta longitudinal, com telhado a quatro águas, dois andares e mansarda. A fachada é simétrica, com um corpo central e dois laterais: um corresponde às antigas cavalariças; o outro, do lado oposto, é o portão de acesso ao jardim, em ferro forjado, suportado por pilastras. Os motivos decorativos aludem à indústria e ao comércio, representados nas duas estátuas que rematam o edifício. No interior, possui pinturas românticas e arte nova, vitrais e tetos ornamentados a estuque. À casa de habitação, agregavam-se anexos de lavoura, cocheira, garagem, terrenos agrícolas e noras: uma que servia a casa; e outra, em ferro, com sistema de elevação de água, que abasteceria a quinta e os jardins, a qual se encontra atualmente em terrenos da Escola EB 2/3 Comandante Conceição e Silva. Existia, também, o edifício da máquina a vapor, que gerava a eletricidade da casa e dos candeeiros do exterior, tecnologia inovadora num tempo em que a iluminação pública era ainda a petróleo.

Depois da morte do proprietário, mantém-se habitado pela viúva, que mais tarde se muda para Lisboa, provavelmente nos anos 50, ficando o imóvel devoluto. Em 1975, então em estado de abandono e sem utilização, mas ainda com o recheio, foi ocupado pela LUAR (Liga de Unidade e Ação Revolucionária), que aí instala uma clínica comunitária materno-infantil. O palacete será depois cedido à Sociedade Filarmónica União Artística Piedense (SFUAP), em 1988, na sequência de um incêndio que destruiu parte das instalações desta associação.