PATRIMÓNIO
Condições de Acesso: Interdito
Cronologia: Séc. XIV ao XXI
Propriedade/Natureza: Privada
Gestão/Entidade: Não determinada
ENQUADRAMENTO LEGAL
Classificado: Não
Classificação/Proteção: Inserida na ZEP da Casa da Cerca, classificada como Imóvel de Interesse Público; Inventariado / Área de valor arqueológico consolidado: qualquer tipo de intervenção relacionada com infraestruturas, incluindo as de saneamento, rede de águas, operações urbanísticas, se implicarem impactos significativos ao nível do subsolo, deverá ser integral e continuamente acompanhada por arqueólogo, com efeito preventivo em relação à afetação de vestígios arqueológicos incógnitos, podendo implicar ulteriores medidas de minimização em função da avaliação dos elementos encontrados
Legislação Associada: Decreto n.º 2/96 do DR, I Série-B, n.º 56, de 6-03-1996); Património Cultural, I. P. (CNS 38140); PDM de Almada
Pátio Prior do Crato
Os trabalhos arqueológicos iniciaram-se como fase de diagnóstico e de caráter preventivo, realizada na sequência do parecer emitido pela então Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) no âmbito da submissão de um projeto de reabilitação.
Nesta primeira fase, foram abertas quatro áreas de escavação com objetivos distintos: situando-se duas delas na zona de implantação de instalações sanitárias, visando a deteção precoce de realidades que pudessem ser afetadas pelas infraestruturas planeadas. Os resultados atestaram a ausência de vestígios preservados, registando-se apenas um escasso espólio cerâmico disperso, associado à utilização do espaço como logradouro a partir do século XVIII, o que garantiu a viabilidade das obras nesta zona sem perturbação patrimonial.
Os restantes pontos de intervenção incidiram em locais não afetados diretamente pela construção, com o propósito de caracterizar as sequências estratigráficas existentes. Foram identificados contextos de ocupação mais antiga e depósitos de maior profundidade. Num deles, detetaram-se níveis de lixeira e contextos de despejo dos séculos XIV-XV, ricos em cerâmica doméstica e de construção, que se sobrepunham a uma estrutura de armazenamento tipo silo que se encontrava fortemente truncada. No outro sector do quintal, foi documentado o enterramento de dois equídeos em estratos do século XVIII e, sob esta realidade, duas estruturas negativas de época medieval, também incompletas, cujo preenchimento continha blocos de pedra, cerâmica de construção e cerâmica comum residual de difícil atribuição cronológica.
Posteriormente, em 2020, foi assegurada uma nova campanha de trabalhos arqueológicos que iria confirmar o potencial arqueológico do sítio, tendo sido identificado um novo conjunto de “covas de pão” colmadas entre o final do século XIV e o início do século XVI com lixos domésticos abundantes. O claro predomínio de fauna malacológica e ictiológica nestes depósitos demonstrou que os recursos provenientes do rio Tejo e do oceano Atlântico constituíam parte integrante do consumo alimentar da população da época, consolidando estes vestígios como elementos altamente representativos do mundo crono-cultural medieval e moderno de Almada Velha.