PATRIMÓNIO
Visitável: Não
Condições de Acesso: Interdito
Cronologia: Séculos XVIII / XIX / XX
Propriedade/Natureza: Privada
Gestão/Entidade: Não determinada
ENQUADRAMENTO LEGAL
Classificado: Não
Quinta da Arealva
A Quinta da Arealva, que nos séculos XIX e XX assumiu certa importância na indústria vinícola local, encontra-se numa zona de ocupação antiga, cujas origens se perdem no tempo. Quanto ao topónimo, supõe-se que «Arealva» tenha tido origem numa praia de areia branca posteriormente encoberta por aterros.
Além da atividade agrícola, é possível que nesta zona ribeirinha tenham sido edificadas duas fortificações de defesa costeira, embora pouco se conheça das mesmas. Uma teria sido construída a mando de D. João II, em Quatrocentos; a outra, o Forte da Fonte da Pipa, talvez date do final de Seiscentos, mas estaria já abandonada cerca de um século depois, quando se construíram alguns edifícios de traça pombalina que serviriam de residência a proprietários vinícolas estabelecidos no Ginjal.
Da história da quinta propiamente dita, sabe-se que João O’Neill, nobre irlandês exilado, se estabeleceu nela em 1757, dedicando-se ao negócio dos vinhos; deve-se a ele, em 1767, a construção de uma ermida no interior do edificado. Em 1813, esta zona ribeirinha encontrar-se-ia ocupada por armazéns de vinho, sendo os do lado nascente propriedade dos Paliarte, residentes na Quinta de São Paulo, e os do lado poente de Domingos Afonso, também proprietário da Quinta de Arealva.
Em 1916, foi adquirida pela Sociedade Vinícola do Sul de Portugal, criada em 1913 por João H. Serrasendo, dando origem às adegas da Empresa Arealva, última empresa do ramo a laborar na frente ribeirinha. O vinho armazenado provinha das regiões do Douro, Dão e Vinho Verde, sendo estabilizado e envelhecido para posterior comercialização no Reino Unido, onde a empresa dispunha de representação desde 1931. Encerrou a atividade durante os anos 60 do século XX.
Para além de uma localização excecional, a quinta dispõe de um interessante património industrial associado à atividade vínica. O edificado é composto por três corpos principais. No plano superior, localiza-se o edifício principal, lavrado por incêndio, onde funcionavam a residência e os escritórios. No plano inferior, junto ao cais de acostagem, situam-se os edifícios afetos à armazenagem. Finalmente, em plano mais recuado junto ao sopé da arriba, é reconhecível um edifício com engenhos de prensa. Todo o conjunto se encontra em avançado estado de degradação, tendo sido leiloado em 2020.