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Património Arqueológico

PATRIMÓNIO

Visitável: Não
Condições de Acesso: Interdito
Cronologia: Neolítico Antigo; Idade do Ferro; Época Romana
Propriedade/Natureza: Privada
Gestão/Entidade: FCT - Fundação para a Ciência e a Tecnologia; Câmara Municipal de almada

ENQUADRAMENTO LEGAL

Classificado: Não
Classificação/Proteção: Inventariado / Área de valor arqueológico consolidado: todos os projetos ou operações urbanísticas que impliquem impactos significativos ao nível do subsolo, tais como infraestruturas subterrâneas, fundações, remodelação de terra, devem ser precedidos de trabalhos arqueológicos prévios de caracterização e diagnóstico (sondagens e escavações) que promovam a adequação das soluções propostas ao valor científico e patrimonial dos bens
Legislação Associada: Património Cultural, I. P. (CNS 21782); PDM de Almada

Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa 2829-516 Caparica

Quinta da Torre

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Imagem representativa de ARQ0045
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Imagem representativa de Quinta da Torre. Sepultura (Sondagem 2; Enterramento 1) (Palimpsesto, 2009).
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Imagem representativa de Quinta da Torre. Poço de cronologia romana (Palimpsesto, 2009).
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Imagem representativa de Quinta da Torre. Eventual abside de edifício religioso paleocristão (Palimpsesto, 2009).
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Imagem representativa de Quinta da Torre. Edifício da antiga propriedade de origem quinhentista.
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Imagem representativa de Quinta da Torre. Sepultura (Sondagem 5; Sepultura 14) (Palimpsesto, 2009).

Localizada nas proximidades do cemitério do Monte, esta área destaca-se pelo amplo domínio visual sobre a paisagem envolvente e por campos agrícolas férteis, coincidindo com os limites da antiga Quinta da Torre, propriedade de origem quinhentista (século XVI). A dispersão de múltiplos núcleos de achados arqueológicos no interior do atual campus da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e respetiva envolvente comprova a longa diacronia de ocupação deste território.

O sítio foi identificado originalmente em 1978 por membros do Centro de Arqueologia de Almada durante o acompanhamento das obras do complexo universitário, altura em que se detetaram, num talude, quatro sepulturas de inumação de época romana de integridade parcialmente comprometida. Posteriormente, o Estudo de Impacte Ambiental realizado no âmbito da construção do Metropolitano Ligeiro da Margem Sul do Tejo preconizou a execução, entre 2005 e 2007, de várias sondagens e escavações arqueológicas.

Estas intervenções confirmaram a existência da necrópole romana balizada cronologicamente entre os finais do século III e o início do século V d.C. O espaço funerário encontrava-se associado a um núcleo de cariz habitacional e agrícola (villa), o qual integrava diversas estruturas complementares: um fosso para controlo de águas, um poço, pavimentos com mosaicos e um alinhamento pétreo delineando uma abside que corresponderia, eventualmente, a uma igreja paleocristã.

O espólio recolhido nas várias fases de prospeção, vigilância e escavação reúne evidências líticas, osteológicas e cerâmicas associadas a três grandes horizontes cronológicos: do Neolítico (c. 5500–3000 a.C.) e de finais do III milénio a.C. destacam-se lâminas, raspadores e núcleos em sílex e quartzito, um fragmento de placa de xisto decorada, bem como fragmentos de cerâmica campaniforme (Calcolítico Final: c. 2500–2000 a.C.) e elementos da Idade do Bronze (c. 2200–700 a.C.). À Idade do Ferro (c. século VIII a I a.C.) pertencem produções anfóricas púnicas, enquanto a época romana é representada pelas estruturas e pela zona de enterramentos já mencionadas, além de ânforas republicanas, cerâmica comum, terra sigillata e contas de colar em pasta vítrea.

Atualmente, a morfologia original e a visibilidade superficial do terreno encontram-se irremediavelmente alteradas, resultado da profunda remodelação topográfica decorrente do desenvolvimento urbano e da instalação do traçado do Metro Sul do Tejo.