PATRIMÓNIO
Condições de Acesso: Interdito
Cronologia: Época Romana, Períodos Medieval Islâmico, Medieval Cristão e Moderno
Propriedade/Natureza: Privada
Gestão/Entidade: Não determinada
ENQUADRAMENTO LEGAL
Classificado: Não
Classificação/Proteção: Inventariado / Área de valor arqueológico consolidado: qualquer tipo de intervenção relacionada com infraestruturas, incluindo as de saneamento, rede de águas, operações urbanísticas, se implicarem impactos significativos ao nível do subsolo, deverá ser integral e continuamente acompanhada por arqueólogo, com efeito preventivo em relação à afetação de vestígios arqueológicos incógnitos, podendo implicar ulteriores medidas de minimização em função da avaliação dos elementos encontrados
Legislação Associada: Património Cultural, I. P. (CNS 1986); PDM de Almada
Quinta de Castros
O sítio foi identificado em 1976 por elementos do Centro de Arqueologia de Almada, nas proximidades da Quinta de Castros (Pragal). A estação arqueológica implanta-se numa vertente de encosta suave orientada a sul, sobre terrenos de formação miocénica (c. 23 a 5,3 milhões de anos). As recolhas de superfície em zona de talude integraram um escasso espólio cerâmico, composto por fragmentos pintados a branco, exemplares brunidos e uma taça com decoração incisa sob vidrado polícromo (melado e verde). Este conjunto surgia associado a vestígios faunísticos, designadamente malacofauna (conjunto de conchas de moluscos, predominantemente bivalves) e restos osteológicos diversos.
Duas décadas após o reconhecimento inicial, em 1996, técnicos do então Núcleo de Arqueologia e História da Câmara Municipal de Almada realizaram o acompanhamento arqueológico dos trabalhos mecânicos de escavação de alicerces destinados à construção de uma nova edificação.
No decurso da obra, foram identificadas evidências de uma ocupação atribuível ao período islâmico (séculos VIII a XIII), materializada pela descoberta de catorze silos escavados no substrato geológico. A maioria destas estruturas negativas apresentava-se truncada por ações agrícolas ou urbanísticas posteriores, verificando-se a integridade de apenas duas estruturas subterrâneas — designadas também como "covas de pão" —, originalmente destinadas ao armazenamento de produtos alimentares. Durante a fase de intervenção, os testemunhos arqueológicos no interior destas estruturas revelaram-se escassos, sendo o enchimento composto, sobretudo, por materiais de derrube e construção, designadamente elementos pétreos e fragmentos de telha e tijoleira.
Esta circunstância reforça a aptidão agropecuária da zona, a qual se soma a indícios prévios que sugerem o estabelecimento de uma comunidade medieval muçulmana sobreposta a uma eventual villa da época romana (século III a.C. a século V d.C.).