PATRIMÓNIO
Condições de Acesso: Interdito
Cronologia: Paleolítico?
Propriedade/Natureza: Privada
Gestão/Entidade: Não determinada
ENQUADRAMENTO LEGAL
Classificado: Não
Classificação/Proteção: Inventariado / Área de valor arqueológico potencial: qualquer tipo de intervenção relacionada com infraestruturas, incluindo as de saneamento, rede de águas, operações urbanísticas, se implicarem impactos significativos ao nível do subsolo, deverá ser integral e continuamente acompanhada por arqueólogo, com efeito preventivo em relação à afetação de vestígios arqueológicos incógnitos, podendo implicar ulteriores medidas de minimização em função da avaliação dos elementos encontrados
Legislação Associada: Património Cultural, I. P. (CNS 40211); PDM de Almada
Quinta de Santa Ana
Sítio arqueológico adjacente a um antigo conjunto rural com alterações arquitetónicas posteriores, o qual integra uma capela seiscentista, dependências agrícolas e terrenos anexos, correspondendo à Quinta de Santa Ana (IVP070; Períodos Moderno e Contemporâneo — séculos XVI / XIX / XX). Em 1826, o imóvel pertencia ao Marquês de Sabugosa, encontrando-se aforado a Agostinho Rosales Santana. Apesar de a área estar atualmente classificada como reserva paisagística, à data da intervenção a propriedade encontrava-se vedada e em fase de loteamento e abertura de acessos para a construção de um empreendimento imobiliário que, até ao momento (2026), não se concretizou.
No decurso dos trabalhos de prospeção, identificou-se uma mancha circunscrita de seixos talhados uni e bifacialmente, a qual integrava uma lasca lateral de sílex. Esta peça exibe perfil curvo, secção trapezoidal e gumes de morfologia convergente, culminando, na extremidade distal, numa ponta perfurante centrada obtida através de talhe direcionado, interpretada tipologicamente como um furador. A presença desta peça indicia, uma vez mais, o transporte de suportes líticos exógenos de proveniência indeterminada.
O sítio poderá testemunhar a passagem ou estadia temporária de um grupo populacional nómada durante a Pré-História Antiga [Paleolítico Superior (genericamente entre c. 40 000 e 10 000 a.C.)], cuja subsistência assentava numa economia de caça, pesca e recolha de recursos naturais disponíveis na região. A escolha recairia preferencialmente sobre um ponto topográfico dominante e irrigado por linhas de água, que permitisse o controlo de movimentações de manadas e rebanhos de caça e a proximidade de cascalheiras e terraços fluviais que disponibilizassem seixos e calhaus quartzíticos para a produção oportuna de ferramentas.
Os materiais encontravam-se dispersos em posição secundária, sobre terrenos onde a morfologia e o contexto estratigráfico surgem mecanicamente adulterados.