Skip to main content
Património Arqueológico

PATRIMÓNIO

Condições de Acesso: Livre
Cronologia: Pré-História; Indeterminado
Propriedade/Natureza: Pública (Estado)
Gestão/Entidade: Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, I. P.

ENQUADRAMENTO LEGAL

Classificado: Não
Classificação/Proteção: Área de valor arqueológico potencial: qualquer tipo de intervenção relacionada com infraestruturas, incluindo as de saneamento e rede de águas, operações urbanísticas e atividades agrícolas ou florestais, se implicarem impactos significativos ao nível do subsolo, deve ser precedida de trabalhos arqueológicos de diagnóstico, podendo implicar ulteriores medidas de minimização e adaptações aos projetos de intervenção em função da avaliação dos elementos encontrados
Legislação Associada: Paisagem Protegida da Arriba Fóssil da Costa de Caparica: Resolução do Conselho de Ministros n.º 178/2008; Decreto-Lei nº168/84 de 22 de maio

A partir da povoação de Pêra de Baixo

Quinta de Santo António 2

Image
Imagem representativa de ARQ0186
Image
Imagem representativa de Quinta de Santo António 2. Enquadramento parcial do sítio (2025).
Image
Imagem representativa de Quinta de Santo António 2. Conjunto de material lítico identificado no decorrer do trabalho de campo (2025).

Durante a fase de trabalhos de prospeção realizados no âmbito da elaboração da Carta Arqueológica do Concelho de Almada, foi observada, em solo esquelético de matriz arenosa, uma concentração de materiais de pequena dimensão e litologia diversa, colocados a descoberto após a abertura de uma vala de funcionalidade indeterminada no terreno — designadamente lamelas, lascas e esquírolas em quartzito, sílex e quartzo. Este conjunto constitui, eventualmente, o resultado da passagem de populações nómadas que, estabelecidas temporariamente no local, se dedicavam à caça e à recolha de alimentos, aproveitando a presença de seixos e calhaus rolados para o fabrico de instrumentos durante o período da Pré-História Antiga (Paleolítico).

O achado localiza-se sobre a arriba fóssil, numa encosta de pendente suave de cumeada fortemente sujeita a erosão eólica, onde foi observada uma presença muito dispersa de material lítico. O topo desta falésia — uma zona costeira alta e escarpada que já não sofre os efeitos diretos da abrasão marinha — revelou-se propício à implantação de acampamentos temporários, respondendo a uma estratégia de subsistência perfeitamente integrada na paleopaisagem do Baixo Tejo e da Fachada Atlântica.

Numa fase de recuo da linha de costa, esta plataforma dominante poderia funcionar como um posto de observação privilegiado, garantindo o controlo e a vigilância sobre as potenciais movimentações de grupos humanos em deslocação e manadas de herbívoros que cruzavam as planícies inferiores. Adicionalmente, o posicionamento elevado assegurava o acesso imediato às cascalheiras pliocénicas, ricas em seixos utilizados como matéria-prima para um talhe lítico expedito, em que a presença minoritária do sílex indicia a circulação ou introdução de suportes exógenos.

Esta vantagem tecnológica articulava-se ainda com a proximidade a linhas de água sazonais e com a inserção numa zona de transição entre os ambientes do planalto e da área ribeirinha, beneficiando de condições superiores de salubridade, drenagem e conforto térmico face aos vales húmidos adjacentes.