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Património Arquitetónico

PATRIMÓNIO

Visitável: Não
Condições de Acesso: Interdito
Cronologia: Séculos XVI / XVII / XVIII / XIX / XX
Propriedade/Natureza: Pública (Estado)
Gestão/Entidade: IRHU (cedida, em regime de comodato, à Associação Vale de Acór, IPSS)

ENQUADRAMENTO LEGAL

Classificado: Sim
Classificação/Proteção: Imóvel de Interesse Público (IIP)
Legislação Associada: Decreto n.º 28/82, Diário da República n.º 47/1982, Série I de 26 de fevereiro

CONTACTOS

Telefone
212 721 220
Rua de Palença, 2805-286 Almada

Quinta de São Lourenço, considerada no seu todo...

Outras designações
Quinta de São Lourenço, considerada no seu todo - habitação e dependências da lavora, capela (São Sebastião), portão de entrada, jardim e terrenos anexos que a delimitam e ainda os conjuntos de azulejos que decoram os imóveis e jardins e as pinturas da capela
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Imagem representativa de Ficha_Carta_Patrimonio_REVISTAS-7
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Imagem representativa de Quinta de S. Lourenço - Painel com motivo náutico
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Imagem representativa de Quinta de S. Lourenço. Portal de entrada.
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Imagem representativa de Quinta de S. Lourenço - Pintura da abóbada da nave
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Imagem representativa de Quinta de S. Lourenço - Azulejos cenas galantes
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Imagem representativa de Quinta de S. Lourenço - Azulejos cena galante
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Imagem representativa de Quinta de S. Lourenço - Portal de acesso à capela
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Imagem representativa de Quinta de S. Lourenço - Pintura da abóbada da capela-mor
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Imagem representativa de Quinta de S. Lourenço - Azulejos da capela com representação do Martírio de S. Lourenço
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Imagem representativa de Quinta de S. Lourenço - Azulejos motivos náuticos
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Imagem representativa de Quinta de S. Lourenço - Interior da capela de três naves
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Imagem representativa de Quinta de S. Lourenço - Pormenor do Pátio

A Quinta de São Lourenço é uma das mais vastas do concelho, possuindo um muito relevante património azulejar. Está implantada no cume de uma encosta que desce até ao Tejo, onde existiu um pequeno ancoradouro de acesso direto à propriedade, o qual surge com frequência, em mapas antigos, com o nome de Porto de São Lourenço. A propriedade é já mencionada em documentos da primeira metade do século XV, mantendo-se, até ao século XIX, na posse dos condes da Cunha, cuja pedra de armas pode ainda observar-se sobre o portal de acesso.  

É uma quinta murada, com edificado assente em terrapleno, consistindo num conjunto de edifícios de planta em L, de volumes articulados e coberturas diferenciadas, antecedida por alpendrada e rasgada por escada de acesso; o edificado é composto por casa de habitação, capela, edifícios de apoio agrícola e terrenos anexos. Algumas fontes documentais, bem como as características arquitetónicas e os azulejos seiscentistas no alpendre e na fachada, de padrão azul e branco, apontam o século XVII como período provável de edificação da casa principal, de piso único. Nos séculos XVIII e XIX, terão ocorrido obras relevantes e a construção do segundo piso.

O programa iconográfico das salas revela-se invulgar e afasta-se de modelos decorativos vigentes à época. Uma sala com brasões, outra com embarcações, outra ainda só com animais marcam o cunho pessoal e o gosto pouco erudito do autor da encomenda. Representações de galantaria, produzidas em 1742, convivem com cenas de atividades marítimas e de navegação. Os motivos reproduzidos terão sido inspirados em gravuras originais holandesas.

A capela, dedicada a São Sebastião, cujo acesso se faz por um portal, encimado por frontão triangular, espelha uma arquitetura de influência pombalina. O interior divide-se em três naves, com lambril de azulejos barrocos policromados em todas as paredes. A nave principal tem uma falsa abóbada em madeira pintada e ornatos de estuque. A capela-mor, coberta por uma abóbada rebaixada pintada, apresenta azulejos com cenas hagiográficas, em que se destaca o Martírio de São Lourenço, em azul e branco com cercaduras policromas (segunda metade do século XVIII).

Já no século XX, durante os anos 70, a quinta é expropriada pelo Instituto de Gestão e Alienação do Património Habitacional do Estado (IGAPHE). O conjunto patrimonial foi objeto de obras de recuperação, incluindo o espólio azulejar, num processo que implicou a sua desmontagem e o respetivo restauro no Museu Nacional do Azulejo. Em 1998, é cedida à Associação Vale de Acór, IPSS, que, após obras de adaptação, aí instala uma comunidade terapêutica dedicada à recuperação de toxicodependentes.