PATRIMÓNIO
Visitável: Não
Condições de Acesso: Interdito
Cronologia: Séculos XVI / XVII / XVIII / XIX / XX
Propriedade/Natureza: Pública (Estado)
Gestão/Entidade: IRHU (cedida, em regime de comodato, à Associação Vale de Acór, IPSS)
ENQUADRAMENTO LEGAL
Classificado: Sim
Classificação/Proteção: Imóvel de Interesse Público (IIP)
Legislação Associada: Decreto n.º 28/82, Diário da República n.º 47/1982, Série I de 26 de fevereiro
CONTACTOS
Quinta de São Lourenço, considerada no seu todo...
A Quinta de São Lourenço é uma das mais vastas do concelho, possuindo um muito relevante património azulejar. Está implantada no cume de uma encosta que desce até ao Tejo, onde existiu um pequeno ancoradouro de acesso direto à propriedade, o qual surge com frequência, em mapas antigos, com o nome de Porto de São Lourenço. A propriedade é já mencionada em documentos da primeira metade do século XV, mantendo-se, até ao século XIX, na posse dos condes da Cunha, cuja pedra de armas pode ainda observar-se sobre o portal de acesso.
É uma quinta murada, com edificado assente em terrapleno, consistindo num conjunto de edifícios de planta em L, de volumes articulados e coberturas diferenciadas, antecedida por alpendrada e rasgada por escada de acesso; o edificado é composto por casa de habitação, capela, edifícios de apoio agrícola e terrenos anexos. Algumas fontes documentais, bem como as características arquitetónicas e os azulejos seiscentistas no alpendre e na fachada, de padrão azul e branco, apontam o século XVII como período provável de edificação da casa principal, de piso único. Nos séculos XVIII e XIX, terão ocorrido obras relevantes e a construção do segundo piso.
O programa iconográfico das salas revela-se invulgar e afasta-se de modelos decorativos vigentes à época. Uma sala com brasões, outra com embarcações, outra ainda só com animais marcam o cunho pessoal e o gosto pouco erudito do autor da encomenda. Representações de galantaria, produzidas em 1742, convivem com cenas de atividades marítimas e de navegação. Os motivos reproduzidos terão sido inspirados em gravuras originais holandesas.
A capela, dedicada a São Sebastião, cujo acesso se faz por um portal, encimado por frontão triangular, espelha uma arquitetura de influência pombalina. O interior divide-se em três naves, com lambril de azulejos barrocos policromados em todas as paredes. A nave principal tem uma falsa abóbada em madeira pintada e ornatos de estuque. A capela-mor, coberta por uma abóbada rebaixada pintada, apresenta azulejos com cenas hagiográficas, em que se destaca o Martírio de São Lourenço, em azul e branco com cercaduras policromas (segunda metade do século XVIII).
Já no século XX, durante os anos 70, a quinta é expropriada pelo Instituto de Gestão e Alienação do Património Habitacional do Estado (IGAPHE). O conjunto patrimonial foi objeto de obras de recuperação, incluindo o espólio azulejar, num processo que implicou a sua desmontagem e o respetivo restauro no Museu Nacional do Azulejo. Em 1998, é cedida à Associação Vale de Acór, IPSS, que, após obras de adaptação, aí instala uma comunidade terapêutica dedicada à recuperação de toxicodependentes.