PATRIMÓNIO
Condições de Acesso: Livre
Cronologia: Neo-Calcolítico?
Propriedade/Natureza: Privada
Gestão/Entidade: Nãao determinada
ENQUADRAMENTO LEGAL
Classificado: Não
Classificação/Proteção: Inventariado / Área de valor arqueológico potencial: qualquer tipo de intervenção relacionada com infraestruturas, incluindo as de saneamento e rede de águas, operações urbanísticas e atividades agrícolas ou florestais, se implicarem impactos significativos ao nível do subsolo, deve ser precedida de trabalhos arqueológicos de diagnóstico, podendo implicar ulteriores medidas de minimização e adaptações aos projetos de intervenção em função da avaliação dos elementos encontrados
Legislação Associada: PDM de Almada
Quinta do Canal
O sítio arqueológico implanta-se num esporão dominante de morfologia suave, localizando-se no interior de um terreno agrícola em pousio e delimitado por um muro de propriedade (2015). No topo da cumeada, identificou-se uma dispersão ténue e disseminada de lascas de sílex e quartzito, associada a escassos fragmentos cerâmicos de produção manual.
Na área da encosta, que apresenta uma pendente suave orientada a este, destaca-se a recolha de um furador sobre lasca lateral de sílex. Este artefacto exibe perfil curvo, secção transversal trapezoidal e gumes de morfologia convergente que culminam, na extremidade distal, numa ponta perfurante oblíqua obtida através de retoque direcionado.
Esta ocorrência sugere, genericamente, uma ocupação ou uso do espaço enquadrável no Neo-Calcolítico (genericamente entre c. 4000 e 2000 a.C.). A escolha desta implantação topográfica reflete a necessidade de garantir uma boa exposição solar, o controlo de segurança da envolvente e a observação de manadas ou a incursão de grupos externos no território, numa fase marcada pela adoção de um sistema agro-pastoril ainda incipiente.
A presença de uma ferramenta especializada como o furador aponta para a realização de atividades funcionais ligadas à economia doméstica — como a transformação e perfuração de matérias orgânicas (peles, madeira ou osso) —, integrando-se num contexto socioeconómico que articulava o aproveitamento de recursos locais (quartzito) com a aquisição de suportes exógenos através de redes de circulação e troca.