PATRIMÓNIO
Condições de Acesso: Interdito
Cronologia: Idade do Ferro
Propriedade/Natureza: Privada
Gestão/Entidade: Não determinada
ENQUADRAMENTO LEGAL
Classificado: Não
Classificação/Proteção: Inventariado / Área de valor arqueológico potencial: qualquer tipo de intervenção relacionada com infraestruturas, incluindo as de saneamento, rede de águas, operações urbanísticas, se implicarem impactos significativos ao nível do subsolo, deverá ser integral e continuamente acompanhada por arqueólogo, com efeito preventivo em relação à afetação de vestígios arqueológicos incógnitos, podendo implicar ulteriores medidas de minimização em função da avaliação dos elementos encontrados
Legislação Associada: Património Cultural, I. P. (CNS 33986); PDM de Almada
Quinta do Facho
Sítio arqueológico identificado em 1992 no decurso do acompanhamento arqueológico da construção de uma urbanização, tendo os vestígios sido assinalados num corte originado pelas movimentações de terras da obra. O espólio recolhido incluiu artefactos líticos e fragmentos cerâmicos, destacando-se produções de cerâmica comum e cinzenta, assim como uma asa de ânfora, associadas à Idade do Ferro (c. séculos VIII a.C. — I a.C.). Embora não tenham sido registadas estruturas indicativas de contextos primários, a tipologia dos achados sugere a proximidade de uma ocupação de cariz rural ou agrícola cuja localização exata permanece desconhecida. Ainda assim, este registo material atesta a relevância da ocorrência para a compreensão da ocupação regional durante a Proto-história.
Tendo em conta a elevada fertilidade dos solos locais, tem sido equacionada uma vocação agrícola para este provável núcleo de povoamento (ARRUDA, 2000). Esta produção estaria potencialmente direcionada para suprir as necessidades alimentares do principal centro hegemónico da época neste território: o grande povoado da Quinta do Almaraz (OLAIO, 2018).
Em 2024, a Câmara Municipal de Almada promoveu um concurso público com vista à construção de habitações a custos controlados na Quinta do Facho (Monte de Caparica). O projeto, designado por «Loteamento 417», previa a edificação de cinco edifícios. Face à dimensão da área a afetar e à extrema proximidade ao sítio inventariado, considerou-se incontornável a implementação de trabalhos de diagnóstico prévio para avaliar o potencial do subsolo.
Os materiais recuperados durante esta fase de intervenção integram, fundamentalmente, detritos de cronologia contemporânea, dispersos por entre produções cerâmicas igualmente recentes. Não foi identificado qualquer espólio enquadrável na Idade do Ferro, o que indica a ausência de vestígios preservados deste horizonte crono-cultural na área intervencionada.