PATRIMÓNIO
Condições de Acesso: Condicionado a autorização prévia
Cronologia: VIII/VII a.C.. (Bronze Final)
Propriedade/Natureza: Pública (municipal)
Gestão/Entidade: Escola Básica e Secundária Anselmo de Andrade.
ENQUADRAMENTO LEGAL
Classificado: Não
Classificação/Proteção: Inventariado / Área de valor arqueológico consolidado: qualquer tipo de intervenção relacionada com infraestruturas, incluindo as de saneamento, rede de águas, operações urbanísticas, se implicarem impactos significativos ao nível do subsolo, deverá ser integral e continuamente acompanhada por arqueólogo, com efeito preventivo em relação à afetação de vestígios arqueológicos incógnitos, podendo implicar ulteriores medidas de minimização em função da avaliação dos elementos encontrados
Legislação Associada: Património Cultural, I. P. (CNS 3237); PDM de Almada
HORÁRIO
Normal
Horário nos dias úteis: 8.00h - 12.55h; 13.15h - 18.10h
CONTACTOS
Quinta do Marcelo
Identificada em 1985 por elementos do Centro de Arqueologia de Almada, esta estação arqueológica foi sinalizada durante as prospeções de campo do Plano de Pormenor 7. A sua escavação ocorreu posteriormente, no âmbito do acompanhamento arqueológico das obras de construção da atual Escola Secundária Anselmo de Andrade.
Implantado na margem esquerda do estuário do Tejo, o sítio caracteriza-se pela presença de concheiros — bolsas ou depósitos ricos em detritos alimentares onde predominam bivalves e gastrópodes —, testemunhos que documentam a intensa exploração de recursos estuarinos pelas comunidades locais.
A estação integraria uma vasta rede de acampamentos sazonais que, desde o final da Idade do Bronze (c. 1200 a.C. a 800 a.C.), ocuparam o litoral sul do atual território português e as principais desembocaduras fluviais. Estes assentamentos são fundamentais para a compreensão das estratégias de subsistência das populações da Proto-História (século VIII a.C. a século I a.C.) na região.
Apesar de a área intervencionada ser reduzida, as evidências revelam a organização de um acampamento funcional, onde se identificaram uma estrutura de combustão (fogueira) e um quebra-vento posicionado contra os ventos procedentes de Nordeste. O espólio móvel recuperado destaca-se pela presença de taças carenadas (algumas com ornatos brunidos), vasilhas de armazenamento e uma placa de osso adornada. No conjunto metálico, sobressaem pequenas facas de ferro e uma fíbula de dupla mola em bronze, elementos inseríveis no horizonte da Idade do Ferro (século VIII a.C. a século I a.C.).
A economia de subsistência desta comunidade dependia do aproveitamento do meio aquático, evidenciado por abundante malacofauna (restos de conchas de bivalves e gastrópodes — como lapa, ostra e amêijoa —, acumulados após consumo). Esta base alimentar era complementada pela atividade cinegética, destacando-se o javali num registo zooarqueológico (fauna mamalógica) menos expressivo.
Após a conclusão da intervenção de salvaguarda, o sítio foi parcialmente destruído pela edificação do complexo escolar, restando a coleção exumada como testemunho de elevado valor histórico.