PATRIMÓNIO
Condições de Acesso: Livre
Cronologia: Paleolítico Superior, Mesolítico, Neolítico e Época Romana
Propriedade/Natureza: Pública (municipal)
Gestão/Entidade: Câmara Municipal de Almada; União das Freguesias de Almada, Cova da Piedade, Pragal e Cacilhas
ENQUADRAMENTO LEGAL
Classificado: Não
Classificação/Proteção: Inventariado / Área de valor arqueológico consolidado: qualquer tipo de intervenção relacionada com infraestruturas, incluindo as de saneamento, rede de águas, operações urbanísticas, se implicarem impactos significativos ao nível do subsolo, deverá ser integral e continuamente acompanhada por arqueólogo, com efeito preventivo em relação à afetação de vestígios arqueológicos incógnitos, podendo implicar ulteriores medidas de minimização em função da avaliação dos elementos encontrados
Legislação Associada: Património Cultural, I. P. (CNS 3387); PDM de Almada
HORÁRIO
Livre
Ramalha 2
Identificado, em 1976, por elementos do Centro de Arqueologia de Almada, este habitat, igualmente caracterizado como mancha de ocupação ou fossa, foi alvo de uma intervenção arqueológica realizada nesse mesmo ano. Os trabalhos resultaram de uma estreita colaboração entre o Gabinete de Estudos do Património e Planeamento (GEPP) e o Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal (MAEDS), cabendo aos técnicos deste último a coordenação científica da escavação. Consequentemente, a maior parte do espólio recolhido foi integrada nas reservas do núcleo museológico instituído pela Junta Distrital de Setúbal.
A Estação Neolítica assenta sobre um estrato com indústrias de técnica languedocense, integradas numa diacronia que abrange o Epipaleolítico / Mesolítico (c. 11.650 a.C. a 5500 a.C.) e o Neolítico Antigo (c. 5500 a.C. a 4500 a.C.). O sítio localiza-se na zona de transição entre o núcleo antigo da povoação e a sede do Clube Recreativo da Ramalha. Geologicamente inserida em terrenos Plio-Plistocénicos (c. 5,3 milhões de anos a 11.700 anos Antes do Presente), a ocupação assentava sobre uma cascalheira espalhada na margem de uma antiga linha de água. Identificado no âmbito de trabalhos de construção civil, o local revelou-se fundamental para o estudo das estratégias de subsistência durante o Neolítico (c. 5500 Antes do Presente).
O contexto configura uma lixeira relacionada com um eventual povoado, onde foram recuperados vestígios da dieta quotidiana. Confirmou-se a coexistência de concheiros, vestígios de fauna mamalógica (restos ósseos de mamíferos, nomeadamente cervídeos e bovídeos) e de malacofauna (restos de conchas de bivalves — como ostra, amêijoa e berbigão —, acumulados após consumo), além de restos de ictiofauna (pescado). Estes achados biológicos surgiram associados a uma indústria lítica em sílex e quartzito, cerâmicas lisas e decoradas (impressas e incisas), e objetos de caráter ritual. Este conjunto material é característico de uma comunidade estabelecida sob uma economia agropecuária incipiente, que complementava a sua subsistência com a caça, a pesca e a recoleção de recursos estuarinos.
A ocorrência patrimonial acabou por ser afetada devido ao desenvolvimento de obras de construção e saneamento básico, permanecendo selada sob o pavimento da Praceta de Alvalade.