PATRIMÓNIO
Condições de Acesso: Interdito
Cronologia: Época Medieval Cristã: Século XIII?
Propriedade/Natureza: Privada
Gestão/Entidade: Não determinada
ENQUADRAMENTO LEGAL
Classificado: Não
Classificação/Proteção: Inventariado / Área de valor arqueológico consolidado: qualquer tipo de intervenção relacionada com infraestruturas, incluindo as de saneamento, rede de águas, operações urbanísticas, se implicarem impactos significativos ao nível do subsolo, deverá ser integral e continuamente acompanhada por arqueólogo, com efeito preventivo em relação à afetação de vestígios arqueológicos incógnitos, podendo implicar ulteriores medidas de minimização em função da avaliação dos elementos encontrados
Legislação Associada: Património Cultural, I. P. (CNS 40266); PDM de Almada
Rua Bulhão Pato 32-38
Os trabalhos arqueológicos incidiram no interior de um edifício de cariz habitacional, tendo sido realizados no âmbito do respetivo projeto de reabilitação. A intervenção procurou avaliar os impactos da obra sobre elementos de interesse cultural e patrimonial, bem como reforçar o conhecimento sobre a ocupação antiga deste local, estabelecendo uma referência para futuros processos construtivos na área envolvente.
Foi revelada uma realidade semelhante a outras documentadas na malha urbana de Almada Velha: por um lado, a perturbação de contextos provocada pela implantação de redes de saneamento básico e, por outro, a fraca potência estratigráfica, em que os pavimentos e as respetivas preparações assentam diretamente sobre o substrato geológico, inviabilizando a caracterização da ocupação diacrónica do local. A única exceção prende-se com a presença de estruturas negativas que, uma vez colmatadas, escaparam incólumes a sucessivas reorganizações do espaço.
No decurso do acompanhamento arqueológico da obra, identificaram-se três silos, os quais forneceram dados de relevância acrescida para a compreensão da evolução crono-cultural do núcleo histórico de Almada.
O espólio recolhido é maioritariamente constituído por cerâmica comum de uso doméstico, destacando-se um alguidar, quase completo, com decoração incisa no exterior, dois jarros — um dos quais com um pentagrama gravado no bojo — e um copo de pequenas dimensões (possível miniatura ou brinquedo) decorado com linhas verticais pintadas a branco. Foram também recuperados materiais de construção e vestígios faunísticos que ilustram a dieta alimentar da altura, testemunhos que constituem um forte indício de contextos habitacionais na envolvente.
Deve salientar-se, ainda, a presença de loiça pintada a branco, de tradição islâmica, datável do século XIII. Trata-se de achados isolados e muito fragmentados, com exceção da pequena peça recuperada quase completa, cuja decoração parece remeter igualmente para este período mais recuado.