PATRIMÓNIO
Condições de Acesso: Interdito
Propriedade/Natureza: Privada
Gestão/Entidade: Eng.º Miguel Traça (empresa 3RDOMUS, Construções Lda.)
ENQUADRAMENTO LEGAL
Classificado: Não
Classificação/Proteção: Inventariado / Área de valor arqueológico consolidado: qualquer tipo de intervenção relacionada com infraestruturas, incluindo as de saneamento, rede de águas, operações urbanísticas, se implicarem impactos significativos ao nível do subsolo, deverá ser integral e continuamente acompanhada por arqueólogo, com efeito preventivo em relação à afetação de vestígios arqueológicos incógnitos, podendo implicar ulteriores medidas de minimização em função da avaliação dos elementos encontrados
Legislação Associada: Património Cultural, I. P. (CNS 37016); PDM de Almada
Rua Capitão Leitão 2
Em fase prévia ao início dos trabalhos de reabilitação do edifício, foram executadas duas sondagens de diagnóstico implantadas em locais estratégicos do piso térreo, onde se previa uma maior afetação do subsolo. Os resultados obtidos ditaram o alargamento da intervenção, o que conduziu à escavação em área do designado “Armazém 2”. Numa segunda fase, no decurso do acompanhamento arqueológico subsequente, identificaram-se três áreas com vestígios patrimoniais relevantes, procedendo-se à sua respetiva escavação e registo.
Nos contextos arqueológicos datados dos séculos XVII e XVIII, recolheu-se um espólio cerâmico bastante coerente e associado ao quotidiano doméstico, com clara predominância da loiça de cozinha (panelas, tachos, frigideiras e testos). Esta vocação funcional é atestada pela profusão de vestígios de exposição direta ao fogo nas suas superfícies. Em menor escala, registaram-se exemplares destinados ao serviço de mesa, tais como púcaros e bilhas.
No que respeita às cerâmicas de aparato, assinalou-se uma expressiva representação de faiança portuguesa. Neste grupo sobressaem as formas abertas, designadamente pratos, tigelas e escudelas, que ostentam quase sempre decoração pintada na face interna.
Os temas decorativos caracterizam-se, em termos gerais, pela aplicação de linhas concêntricas a azul-cobalto junto ao bordo e no fundo das peças. Surgem igualmente os motivos “de contas” a azul e vinoso (manganês), um padrão decorativo amplamente recorrente nas produções nacionais do período.