PATRIMÓNIO
Condições de Acesso: Livre
Cronologia: Séc. XIV e XVI
Propriedade/Natureza: Pública (municipal)
Gestão/Entidade: Câmara Municipal de Almada; União das Freguesias de Almada, Cova da Piedade, Pragal e Cacilhas
ENQUADRAMENTO LEGAL
Classificado: Não
Classificação/Proteção: Sítio abrangido pela ZEP do Palácio da Cerca; Inventariado / Área de valor arqueológico consolidado: qualquer tipo de intervenção relacionada com infraestruturas, incluindo as de saneamento, rede de águas, operações urbanísticas, se implicarem impactos significativos ao nível do subsolo, deverá ser integral e continuamente acompanhada por arqueólogo, com efeito preventivo em relação à afetação de vestígios arqueológicos incógnitos, podendo implicar ulteriores medidas de minimização em função da avaliação dos elementos encontrados
Legislação Associada: Dec. Nº 2/96, do DR 56, de 6 Março. ZEP, segundo o Despacho de 29 de Novembro de 1996; Património Cultural, I. P. (CNS 34894); PDM de Almada
Rua da Cerca/Rua Serpa Pinto
Identificado em 1992 por técnicos da Câmara Municipal de Almada, durante o acompanhamento da abertura de valas de saneamento, este sítio arqueológico foi alvo de uma intervenção que incidiu sobre duas áreas de despejo de resíduos domésticos (lixeiras) de atribuição cronológica distinta. Ambos os contextos constituem excelentes indicadores do posicionamento do território nas redes de comércio externo e do acesso das populações locais a bens de prestígio importados.
O contexto trecentista, de meados do século XIV (c. 1350), testemunha o vigor das rotas mercantis baixo-medievais, contendo cerâmica comum, dinheiros dos reinados de D. Dinis (1279–1325) e D. Afonso IV (1325–1357) — associados a um numisma estrangeiro de origem indeterminada — e loiça de reflexo metálico com decoração a azul, proveniente das oficinas valencianas de Paterna e Manises.
A estrutura mais recente, datada de finais do século XVI (c. 1575–1600), destaca-se pela recolha de um espólio exótico e exógeno, que inclui porcelana chinesa, faianças italianas e holandesas, uma turquesa em bruto, uma conta de topázio e um fragmento de colher em marfim com cabeça de crocodilo, de manufatura afro-portuguesa do Benim. Estes objetos de luxo ultramarinos refletem a inserção da margem sul do Tejo nos circuitos globais gerados pela Expansão Portuguesa.