PATRIMÓNIO
Condições de Acesso: Interdito
Cronologia: Época Medieval e Períodos Moderno e Contemporâneo
Propriedade/Natureza: Privada
Gestão/Entidade: Não determinada
ENQUADRAMENTO LEGAL
Classificado: Não
Classificação/Proteção: Inventariado / Área de valor arqueológico consolidado: qualquer tipo de intervenção relacionada com infraestruturas, incluindo as de saneamento, rede de águas, operações urbanísticas, se implicarem impactos significativos ao nível do subsolo, deverá ser integral e continuamente acompanhada por arqueólogo, com efeito preventivo em relação à afetação de vestígios arqueológicos incógnitos, podendo implicar ulteriores medidas de minimização em função da avaliação dos elementos encontrados
Legislação Associada: Património Cultural, I. P. (CNS 40197); PDM de Almada
Rua da Padaria 10
A área de intervenção arqueológica permitiu identificar e escavar três silos: dois no interior do imóvel e outro, bastante degradado, na zona do logradouro. O material recuperado sugere um preenchimento de colmatação e regularização efetuado num curto hiato temporal, contextualizado na segunda metade do século XVIII.
Estas estruturas negativas de armazenamento foram parcialmente afetadas pela edificação da casa atual. As bases de assentamento das paredes, nos pontos coincidentes com o topo das aberturas das covas de pão, ficaram suspensas após a remoção do sedimento de enchimento, o que confirma uma fase construtiva posterior e integral, com eventual rebaixamento de cota do terreno, para o imóvel edificado.
O espaço térreo foi posteriormente coberto por um pavimento em sobrado de madeira. No substrato margoso miocénico, constatou-se a existência de valas de travamento para a colocação de barrotes de sustentação, bem como orifícios quadrangulares para imposição vertical de estacas de estabilização, todos eles modelados na matriz geológica.
O conjunto artefactual revelou-se incaracterístico. Contudo, face às condições de deposição, pode considerar-se homogéneo, apesar da disparidade cronológica de alguns elementos. O espólio resgatado era composto por fragmentos de faiança e cerâmica de fabrico manual, associados a uma moeda do reinado de D. João I (1385–1433) — exemplar nitidamente descontextualizado —, além de vestígios osteológicos (ossos de animais consumidos) escassos e de malacofauna (moluscos bivalves com concha, como mexilhão, amêijoa, ostra e berbigão, por exemplo) praticamente inexistente.
Recuperaram-se ainda uma pequena chapa circular e um anel em vidro, elementos que, juntamente com a natureza indefinida dos restantes achados, impossibilitam uma datação mais precisa desta realidade para além do horizonte setecentista proposto.