PATRIMÓNIO
Condições de Acesso: Interdito
Cronologia: Século XIII - XIV ao XX
Propriedade/Natureza: Privada
Gestão/Entidade: Não determinada
ENQUADRAMENTO LEGAL
Classificado: Não
Classificação/Proteção: Inserida na ZEP dos Imóveis de Interesse Público da Casa da Cerca e Igreja da Misericórdia; Inventariado / Área de valor arqueológico consolidado: qualquer tipo de intervenção relacionada com infraestruturas, incluindo as de saneamento, rede de águas, operações urbanísticas, se implicarem impactos significativos ao nível do subsolo, deverá ser integral e continuamente acompanhada por arqueólogo, com efeito preventivo em relação à afetação de vestígios arqueológicos incógnitos, podendo implicar ulteriores medidas de minimização em função da avaliação dos elementos encontrados
Legislação Associada: Decreto 2/96 de 6 de Março (Palácio da Cerca) e Decreto n.º 45/93 (Igreja da Misericórdia); Património Cultural, I. P. (CNS 40245); PDM de Almada
Rua do Registo Civil, 30-32
A apresentação de um pedido de licenciamento para o projeto de arquitetura de reabilitação de um edifício, integrado no núcleo antigo de Almada Velha, motivou uma apreciação técnica que acautelou o previsível impacto no subsolo, face à sua localização e envolvente. O parecer da Tutela (então Direção-Geral do Património Cultural) preconizou, assim, um conjunto de medidas preventivas de salvaguarda, a aplicar antes de quaisquer trabalhos que envolvessem a mobilização ou remoção de terras. Esta abordagem funcionou como uma estratégia de obtenção de informação, identificação, registo e preservação de eventuais valores arqueológicos ocultos.
As terras removidas indiciavam um aproveitamento anterior do espaço como logradouro. Enquanto os sedimentos superficiais permitiram a recolha de materiais do século XX, as camadas subjacentes testemunham uma ocupação centrada maioritariamente no século XVIII.
Foram ainda detetados seis silos escavados na rocha, de cujo interior se recolheram fragmentos de cerâmica de uso comum. Estes depósitos de loiça utilitária permitiram datar a fase de abandono e colmatação das estruturas negativas entre os finais do século XIII e o século XIV. O espólio exumado no interior destas covas comprova a proximidade de ocupação humana, a reutilização intencional das fossas outrora desativadas e o aproveitamento de recursos naturais locais, nomeadamente através da caça, da pesca e recoleção estuarina.
Durante a fase de picagem de paredes foi identificado, na face poente do compartimento central, um arco delineado com recurso a cantaria calcária. Biselado, aparenta curvatura de volta perfeita, apesar de o topo se encontrar rompido pela edificação, em momento indeterminado, de um piso superior. As suas características permitem enquadramento em Período Manuelino. Ostenta uma largura invulgar (sensivelmente 4,5 metros), constituindo testemunho remanescente de uma malha urbana profundamente alterada.