PATRIMÓNIO
Condições de Acesso: Interdito
Cronologia: Idade Média e Período Moderno
Propriedade/Natureza: Privada
Gestão/Entidade: Não determinada
ENQUADRAMENTO LEGAL
Classificado: Não
Classificação/Proteção: Inventariado / Área de valor arqueológico consolidado: qualquer tipo de intervenção relacionada com infraestruturas, incluindo as de saneamento, rede de águas, operações urbanísticas, se implicarem impactos significativos ao nível do subsolo, deverá ser integral e continuamente acompanhada por arqueólogo, com efeito preventivo em relação à afetação de vestígios arqueológicos incógnitos, podendo implicar ulteriores medidas de minimização em função da avaliação dos elementos encontrados
Legislação Associada: Património Cultural, I. P. (CNS 40017); PDM de Almada
Rua dos Tanoeiros 1-11/Rua Bulhão Pato 22-24
Os trabalhos arqueológicos realizados neste local incidiram sobre uma área bastante alargada, o que permitiu uma leitura interpretativa do espaço invulgar em contextos urbanos, ainda que perturbada por ações de construção e remodelação contemporâneas. Não obstante, foi possível compreender a sequência de ocupação de todo o lote do quintal, cuja primeira fase recua ao século XIV. Este momento inicial materializa-se em níveis de argila queimada e cinzas que cobriam a rocha de base, eventualmente relacionados com atividades oficinais, uma hipótese reforçada pelo próprio topónimo da artéria envolvente, que poderá denunciar a presença histórica de antigas tanoarias dedicadas ao fabrico de barris e pipas.
Posteriormente, no decurso dos séculos XV e XVI, ocorreu uma reestruturação do sítio com a edificação de dois imóveis: um com entrada pela Rua dos Tanoeiros e outro pela Rua Bulhão Pato. O muro de orientação norte-sul que estabelecia a separação entre os dois setores constituiria a parede comum (tardoz) de cada uma das habitações. Estas estruturas habitacionais sobrepuseram-se à realidade artesanal preexistente e subsistiram até ao final do século XVII ou início do século XVIII, momento em que a ocupação do espaço sofreu uma profunda reestruturação ou eventual abandono.
A diferença assinalável de cota de soleira verificada na antiga porta que confrontava com a Rua dos Tanoeiros constitui um indício inequívoco de uma alteração significativa, tanto no imóvel em particular como no espaço envolvente.
Desta fase de abandono ou reformulação foi recuperado um abundante acervo distribuído uniformemente por toda a área. O estudo do espólio possibilitou a consolidação das fases de ocupação propostas, integrando testemunhos materiais maioritariamente provenientes de contextos domésticos, com prevalência de conjuntos de cerâmica comum e vidrada, faianças e vidros. No que diz respeito ao material metálico, registou-se um volume considerável de artefactos em ferro, correspondentes sobretudo a cavilhas e pregos.