PATRIMÓNIO
Condições de Acesso: Interdito
Cronologia: Século XIV a XVIII
Propriedade/Natureza: Privada
Gestão/Entidade: Não determinada
ENQUADRAMENTO LEGAL
Classificado: Não
Classificação/Proteção: Inventariado / Área de valor arqueológico consolidado: qualquer tipo de intervenção relacionada com infraestruturas, incluindo as de saneamento, rede de águas, operações urbanísticas, se implicarem impactos significativos ao nível do subsolo, deverá ser integral e continuamente acompanhada por arqueólogo, com efeito preventivo em relação à afetação de vestígios arqueológicos incógnitos, podendo implicar ulteriores medidas de minimização em função da avaliação dos elementos encontrados
Legislação Associada: Património Cultural, I. P. (CNS 39006); PDM de Almada
Rua Latino Coelho 2-8/Calçada da Cerca 14
A intervenção arqueológica realizou-se no âmbito de um projeto de reabilitação de um imóvel localizado na Zona Especial de Proteção (ZEP) do Palácio da Cerca. Face à magnitude do impacto no subsolo decorrente de todo o processo construtivo, considerou-se incontornável a realização de uma escavação integral de toda a área interior do edifício, atingindo uma superfície intervencionada de dimensões apreciáveis (78 m²).
A escavação revelou-se especialmente complexa devido à sobreposição de contextos de ocupação e à natureza invulgar de um deles. Foram identificadas cinco fases de ocupação do espaço, balizadas entre os séculos XIV e XVIII, tendo-se reconhecido a existência de um complexo industrial quinhentista.
Numa fase inicial, o terreno sofreu uma primeira ação antrópica consubstanciada na abertura de dois silos, bem como de fossas ou depressões nas argilas de base. No decorrer do século XVI, todo o espaço foi convertido em área habitacional, ocupação esta que viria a ser descontinuada, presumivelmente para dar lugar ao edifício setecentista que ainda hoje permanece.
O desenvolvimento dos trabalhos permitiu a recuperação de um vasto conjunto de espólio, pese embora o facto de este provir, em grande medida, de contextos de remobilização e colmatação atribuíveis ao século XVI que preenchiam grande parte do espaço. Ainda assim, reveste-se de especial relevância a cultura material cerâmica, destacando-se um conjunto de peças vidradas e faianças de tipologia uniforme (malgas, pratos e escudelas), em associação com materiais de construção (telhas e tijoleiras), ainda que bastante fragmentados e dispersos.
O volume de espólio metálico exumado caracteriza-se por uma invulgaridade assinalável: registaram-se numerosos artefactos em ferro (entre os quais uma foice, uma ponta de lança e centenas de cavilhas de dimensões diversificadas) e em cobre (como ponteiras de bainhas e diversos elementos de adorno). Foi igualmente recolhido um conjunto muito expressivo de numismas, cujas datações coerentes vieram confirmar as cronologias propostas para as diferentes fases de utilização do sítio.
No que respeita às medidas de minimização e salvaguarda, a prossecução dos trabalhos de engenharia civil implicou o desmonte de parte significativa dos vestígios postos a descoberto, embora se tenha assegurado a preservação estrutural de alguns elementos identificados em ambiente de obra.