PATRIMÓNIO
Condições de Acesso: Interdito
Cronologia: Idade do Ferro (residual); Idade Média (silo); Épocas Moderna e Contemporânea (séc. XVII a XX)
Propriedade/Natureza: Privada
Gestão/Entidade: Ana Margarida Vieira Gomes e João Paulo Pinto Trindade
ENQUADRAMENTO LEGAL
Classificado: Não
Classificação/Proteção: Abrangido pela ZEP do Palácio da Cerca; Inventariado / Área de valor arqueológico consolidado: qualquer tipo de intervenção relacionada com infraestruturas, incluindo as de saneamento, rede de águas, operações urbanísticas, se implicarem impactos significativos ao nível do subsolo, deverá ser integral e continuamente acompanhada por arqueólogo, com efeito preventivo em relação à afetação de vestígios arqueológicos incógnitos, podendo implicar ulteriores medidas de minimização em função da avaliação dos elementos encontrados
Legislação Associada: Decreto n.º 2/96, DR, I Série-B, n.º 56, de 6-03 -1996; PDM de Almada
Rua Latino Coelho15-17
Os trabalhos executados durante a primeira fase de intervenção (2019 e 2020) decorreram da elaboração de um projeto de reabilitação para um edifício de habitação multifamiliar. Pretendeu-se proceder ao diagnóstico do potencial arqueológico do local, com o objetivo de detetar, em fase precoce, eventuais vestígios e mitigar a necessidade de alterações estruturais durante a realização da obra.
Os contextos estratigráficos e as cronologias atribuídas aos testemunhos materiais revelaram-se pouco coerentes, resultado de perturbações urbanas de fraca intensidade que, não obstante, comprometeram as linhas temporais de povoamento no sítio. Este cenário decorrerá da escassa potência estratigráfica local, que poderá ter implicado a remoção de vestígios de ocupação mais antigos aquando da implantação da habitação hoje existente.
Contudo, a identificação de um fragmento de cerâmica cinzenta, atribuível à Idade do Ferro Orientalizante, mantém latente a evidência de uma dispersão da presença humana durante o I Milénio a.C., consequência direta da proximidade ao Sítio Arqueológico da Quinta do Almaraz. Adicionalmente, durante a fase de acompanhamento de obra, identificou-se um silo junto à entrada do edifício. Este encontrava-se preenchido por sedimentos argilosos e praticamente não continha espólio arqueológico que permitisse datar o respetivo momento de abandono
O sítio foi novamente sondado em 2021, com incidência na área a tardoz do imóvel, correspondente ao antigo logradouro e quintal. De um modo geral, os resultados permitiram identificar as várias fases de ocupação de uma habitação urbana concentradas entre as centúrias de setecentos e oitocentos. Não se registaram, contudo, indícios inequívocos e devidamente articulados de uma presença anterior ou, sequer, de alterações estruturais entre os finais do século XVIII e os inícios do XIX.
Esta intervenção revelou-se um contributo válido para o conhecimento parcial da evolução urbana de Almada Velha em época contemporânea, sobretudo no que respeita à arquitetura doméstica. Por outro lado, a identificação de elementos estruturais anteriores ao século XVIII em setores escavados a cotas mais profundas permite equacionar a possibilidade de preservação de contextos e estruturas antigas, com maior probabilidade de integração nos períodos medieval e moderno.