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Património Arqueológico

PATRIMÓNIO

Condições de Acesso: Livre
Cronologia: Neolítico Final a Período Contemporâneo
Propriedade/Natureza: Privada
Gestão/Entidade: C. M. Almada; UF de Almada, Cova da Piedade, Pragal e Cacilhas; Seminário Maior de S. Paulo

ENQUADRAMENTO LEGAL

Classificado: Não
Classificação/Proteção: Inventariado / Área de valor arqueológico consolidado: qualquer tipo de intervenção relacionada com infraestruturas, incluindo as de saneamento, rede de águas, operações urbanísticas, se implicarem impactos significativos ao nível do subsolo, deverá ser integral e continuamente acompanhada por arqueólogo, com efeito preventivo em relação à afetação de vestígios arqueológicos incógnitos, podendo implicar ulteriores medidas de minimização em função da avaliação dos elementos encontrados
Legislação Associada: Património Cultural, I. P. (CNS 4016); PDM de Almada

Campo de S. Paulo 2800-083 Almada

São Paulo 1 e 2

Outras designações
Grutas artificiais de São Paulo
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Imagem representativa de ARQ0030
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Imagem representativa de São Paulo 2. Fase de trabalho.
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Imagem representativa de São Paulo 2. Crivagem a água.
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Imagem representativa de São Paulo 2. Fase de escavação.
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Imagem representativa de São Paulo 2. Perspetiva do terreno antes do início dos trabalhos arqueológicos.
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Imagem representativa de São Paulo 2. Fase de trabalho.
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Imagem representativa de São Paulo 2. Fase de escavação.

O sítio arqueológico é constituído por dois hipogeus (grutas artificiais) destinados a inumações coletivas, cuja diacronia funerária original abrange o Neolítico Final (c. 3500 a.C. a 3000 a.C.), o Calcolítico (c. 3000 a.C. a 2000 a.C.) e a Idade do Bronze (c. 2000 a.C. a 800 a.C.). 

Em janeiro de 1978, a abertura de uma vala durante as obras de renovação da rede de águas pôs a descoberto um corte estratigráfico onde se identificaram vestígios osteológicos humanos e uma ponta de seta em sílex. A primeira estrutura funerária (São Paulo 1) foi intervencionada nesse mesmo ano por elementos do Centro de Arqueologia de Almada, com o apoio da então Assembleia Distrital de Setúbal e sob a responsabilidade científica de Carlos Tavares da Silva, pertencente ao Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal.

Por sua vez, a Gruta Artificial de São Paulo 2, descoberta em 1988 no decorrer de obras de requalificação no adro da Igreja de São Paulo, motivou uma escavação de emergência coordenada pelos serviços municipais de arqueologia de Almada. Esta estrutura subcircular, com cerca de sete metros de diâmetro e um corredor de acesso parcialmente preservado — orientado no eixo Este-Oeste —, revelou uma sequência estratigráfica mais complexa e acessível.

O espólio recuperado testemunha uma frequência antrópica persistente entre a Pré-História e a Época Romana (século III a.C. a século V d.C.). A presença de cerâmica de fabrico manual, micrólitos geométricos e pontas de seta em sílex documenta as comunidades do Neolítico (c. 5500 a.C. a 3000 a.C.), enquanto as placas de xisto gravadas e a cerâmica campaniforme evidenciam a complexidade cultural e ritual do Calcolítico (c. 3000 a.C. a 2000 a.C.). A sequência material evoluiu com a cerâmica pintada de bandas, característica da Idade do Ferro (século VIII a.C. a século I a.C.), culminando na identificação de fragmentos de ânforas romanas no interior do recinto sepulcral e na posterior reutilização da área exterior do adro como cemitério dos Períodos Moderno (século XV a século XVIII) e Contemporâneo.

Atualmente, a área intervencionada encontra-se preservada in situ e selada por calcetamento.